A Aegea Saneamento pagou propina para prefeitos, agentes públicos, políticos e conselheiros de tribunais de contas de seis estados, inclusive de Rondônia, afirmam delatores ouvidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os jornalistas Graciliano Rocha e Eduardo Militão, do Tab UOL, obtiveram acesso aos depoimentos com exclusividade. A empresa é responsável pelo saneamento de Ariquemes, Buritis, Jaru, Pimenta Bueno e Rolim de Moura.
Segundo a reportagem, os documentos homologados pelo STJ descrevem que o esquema envolvia executivos e ex-executivos da companhia, dinheiro em espécie, contratos fictícios e até compra de imóveis e veículos de luxo, movimentando aproximadamente R$ 63 milhões entre 2010 e 2018.
Ainda de acordo com o UOL, executivos e funcionários ligados à empresa Aegea admitiram, nos acordos, o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos para obtenção ou manutenção de contratos de concessão no período dos oito anos.
Assessoria de comunicação Aegea/RO
Um ex-diretor regional da Aegea detalhou a atuação da companhia junto a órgãos de controle e prefeituras. Segundo ele, repasses foram feitos a conselheiros de tribunal de contas (importante ressaltar, não necessariamente de Rondônia), garantindo apoio institucional e manutenção das concessões.
Conforme registrou pelo UOL, a Aegea firmou acordo com o Ministério Público Federal em 2021, e se comprometeu a pagar R$ 439 milhões à União. O acordo de leniência foi homologado pelo STJ em fevereiro de 2025. A empresa admitiu irregularidades na esfera penal e assumiu compromisso de melhorar mecanismos internos de controladoria.
Desde 2015, Aegea atende cerca de 350 mil habitantes de Rondônia com água tratada e esgotamento sanitário.