FOCO EM CARBONO: Empresa brasileira vence concessão de restauração na Flona Bom Futuro, em RO

O potencial econômico do projeto entre aproximadamente US$ 320 milhões e US$ 960 milhões ao longo da concessão, dependendo da certificação e da demanda global

FOCO EM CARBONO: Empresa brasileira vence concessão de restauração na Flona Bom Futuro, em RO

Foto: Ecoporé/Patrícia Alves/B3/GovBR

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A empresa paulista re.green venceu o leilão para concessão da Unidade de Manejo II da Floresta Nacional do Bom Futuro, em Rondônia, em um projeto considerado inédito no país por priorizar a geração de créditos de carbono e a restauração ambiental como principal fonte de receita. O contrato prevê a gestão da área por 40 anos, com investimento estimado em R$ 87 milhões.

 

O leilão foi realizado na sede da B3 S.A., em São Paulo, e promovido pelo Serviço Florestal Brasileiro, órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A empresa vencedora será responsável por administrar cerca de 51,2 mil hectares da unidade de conservação federal.

 

O Rondoniaovivo paurou que o projeto marca uma mudança no modelo tradicional de concessões florestais no Brasil. Diferentemente de contratos anteriores, nos quais a principal fonte de receita era a exploração de madeira, a proposta aposta na restauração da biodiversidade e na comercialização de créditos de carbono no mercado internacional. A empresa também poderá comercializar produtos da silvicultura de espécies nativas dentro de um regime de manejo sustentável.

 

Segundo a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o modelo representa uma mudança de paradigma na gestão de florestas públicas.

 

“Essa é uma proposta inédita. Somos um país de cultura extrativista, mesmo que em bases sustentáveis. Por meio desta iniciativa estamos impulsionando a agenda de restauração, que gera como frutos créditos de carbono”, afirmou.

 

A proposta da re.green prevê o repasse de 0,70% da receita operacional bruta ao governo federal, valor calculado sobre toda a atividade econômica gerada na gestão da área. Apesar da relevância estratégica da região amazônica, o leilão teve apenas um participante. Analistas apontam que o alto risco regulatório do mercado de carbono, o volume de investimentos iniciais e o longo prazo de retorno financeiro podem ter afastado outros interessados.

 

O Rondoniaovivo buscou dados para entender o volume desse negócio na Amazônia. A concessão pode gerar receita significativa ao longo das próximas décadas. Estimativas de mercado indicam que projetos de restauração florestal tropical conseguem remover entre 6 e 12 toneladas de CO₂ por hectare por ano. Considerando a área concedida e o período contratual, a captura total de carbono pode ultrapassar 16 milhões de toneladas ao longo de 40 anos.

 

No mercado voluntário internacional, créditos de carbono desse tipo têm sido negociados entre US$ 20 e US$ 60 por tonelada, o que colocaria o potencial econômico do projeto entre aproximadamente US$ 320 milhões e US$ 960 milhões ao longo da concessão, dependendo da certificação e da demanda global.

 

A re.green é uma empresa brasileira especializada em restauração florestal e projetos climáticos. A sede da companhia é no Rio de Janeiro, com escritórios em São Paulo e Eunápolis, na Bahia. A re.green atua nos estados da Bahia, Pará, Maranhão, Mato Grosso, Rio de Janeiro e, futuramente, em Rondônia - com foco voltado ao mercado global de carbono.

 

Entre os cofundadores da empresa está o cineasta João Moreira Salles, e o conselho conta com o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga. O projeto também tem apoio de financiamentos climáticos e investidores privados interessados na expansão do mercado de compensação de emissões.

 

Empresas multinacionais que buscam neutralizar emissões de carbono figuram entre os principais compradores desse tipo de crédito ambiental. O modelo prevê que parte dessas companhias adquira antecipadamente créditos gerados por projetos de restauração para cumprir metas climáticas e exigências regulatórias em mercados internacionais.

 

Localizada em uma região da Amazônia marcada por histórico de invasões e desmatamento, a Floresta Nacional do Bom Futuro passa a integrar uma estratégia federal que busca combinar conservação ambiental, financiamento privado e geração de ativos climáticos.

 

Para o governo federal, o leilão inaugura uma nova etapa na política de concessões florestais, na qual a preservação da floresta passa a ser tratada também como ativo econômico capaz de atrair investimentos e gerar receita a partir da manutenção da vegetação em pé.

 

 

Histórico de grilagem e conflitos

 

Criada em 1988, a Floresta Nacional do Bom Futuro, em Rondônia, tornou-se uma das unidades de conservação mais pressionadas da Amazônia. Localizada entre Porto Velho e Ariquemes, a área sofreu intensa grilagem e desmatamento a partir dos anos 2000, com ocupações ilegais e conflitos agrários. Em 2010, o governo federal reduziu sua extensão de 280 mil para cerca de 100 mil hectares para tentar conter as invasões. Administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, a unidade chegou a ter até um terço da floresta degradada e agora é alvo de projetos de restauração ambiental.

 

 


ERRAMOS: A re.green não mantém escritórios internacionais, como constava neste conteúdo anteriormente. O material foi atualizado com as informações corretas. 

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