O emaranhado de fios nos postes é um problema urbano que já vem sendo enfrentado em diversas cidades
Foto: Rondoniaovivo
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A ocupação desordenada pode aumentar riscos à população, dificultar serviços de manutenção e comprometer a infraestrutura utilizada pela rede elétrica.
Enquanto distribuidoras de energia intensificam em todo o Brasil a retirada de cabos instalados irregularmente nos postes, o problema da ocupação desordenada da infraestrutura permanece como uma questão que precisa de maior atenção em Porto Velho.
Em 2025, mais de 2 mil toneladas de cabos irregulares foram retiradas dos postes brasileiros, volume 117% superior ao registrado no ano anterior.
O cenário nacional expõe um problema que também pode ser observado nas ruas de Porto Velho: o excesso de fios, cabos e equipamentos de empresas de telecomunicações instalados nos postes.
No emaranhado dos postes tem até fios do tempo da telofonia fixa além de cabos já inutilizados de operadoras de internet.
Além da poluição visual, a ocupação desordenada pode aumentar riscos à população, dificultar serviços de manutenção e comprometer a infraestrutura utilizada pela rede elétrica.
Segundo a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), as distribuidoras emitiram 4,3 milhões de notificações nos últimos dois anos para empresas responsáveis por cabos instalados irregularmente.
A entidade afirma ainda que, desde 2024, foram firmados mais de 150 convênios com prefeituras para ampliar a fiscalização e o ordenamento da fiação.
A iniciativa mostra que municípios de diferentes regiões passaram a tratar o problema não apenas como questão estética, mas como um tema de segurança e infraestrutura urbana.
Mais de 53 milhões de postes
O Brasil possui mais de 53 milhões de postes, responsáveis pela distribuição de energia para aproximadamente 99,8% dos domicílios.
A mesma infraestrutura é compartilhada por empresas de telefonia e internet, que utilizam os postes para instalar seus cabos e equipamentos.
O problema surge quando essa ocupação ocorre sem o cumprimento das regras estabelecidas para utilização da infraestrutura.
O excesso de cabos abandonados ou instalados de maneira inadequada pode dificultar a identificação das redes, aumentar o peso sobre os postes e criar obstáculos para equipes que precisam realizar manutenção.
Para a presidente-executiva da Abradee, Patricia Audi, a ocupação irregular ameaça a segurança da população e a qualidade do serviço de distribuição de energia.
Porto Velho precisa evitar que o problema seja normalizado
Em Porto Velho, a presença de grandes volumes de fios e cabos em determinadas áreas da cidade é um problema que não deveria ser tratado apenas como poluição visual.
A questão envolve segurança, organização urbana e responsabilidade sobre uma infraestrutura essencial.
O risco está justamente na normalização do cenário.
Quanto mais tempo cabos inutilizados, abandonados ou instalados fora dos padrões permanecem nos postes, maior tende a ser a dificuldade de identificar os responsáveis e reorganizar as redes.
A experiência de outras cidades mostra que o enfrentamento do problema depende de fiscalização, notificações, retirada dos cabos irregulares e atuação conjunta entre distribuidora de energia, empresas de telecomunicações e poder público.
Congresso discute novas regras
A organização do compartilhamento dos postes também está em discussão no Congresso Nacional.
O Projeto de Lei nº 3.220/2019, aprovado pelo Senado e em análise na Câmara dos Deputados, estabelece novas regras para a utilização da infraestrutura por empresas de energia e telecomunicações.
A proposta busca combater a ocupação irregular e estabelecer critérios para o compartilhamento dos postes.
A Abradee defende o texto aprovado pelo Senado e afirma que a criação de uma nova estrutura para administrar os postes poderá elevar custos e gerar impactos para os consumidores.
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