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COVID-19: Restrições derrubam peso de passaportes do Brasil e dos EUA

"Os passaportes de nações tanto em desenvolvimento quanto desenvolvidas devem perder valor, pelo menos temporariamente. Em tempos tão incertos, a demanda global por dupla nacionalidade e vistos de investidores deverá crescer"

MERCADO E EVENTOS

10 de Julho de 2020 às 15:21

Atualizada em : 10 de Julho de 2020 às 15:25

Foto: Divulgação

 

MERCADO E EVENTOS - A abertura gradual de países após o pico da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) vem sendo responsável por reorganizar o mapa de mobilidade global e da liberdade de acesso dos viajantes. Esta mudança, em grande parte, está relacionada à decisão da União Europeia de criar uma lista de países que poderiam entrar no bloco a partir de 1º de julho, com base em critérios de saúde e segurança, a qual o Brasil ficou de fora.

 

A lista incluiu Austrália, Canadá, Japão e Coreia do Sul, os quais tradicionalmente têm alta pontuação no Índice de Passaportes Henley (Henley Passport Index) – a classificação original de todos os passaportes do mundo de acordo com o número de destinos que podem ser acessados sem visto. Brasil, Rússia e Estados Unidos, excluídos da lista por ainda não terem as contaminações sob controle, viram seus status caírem por conta das restrições.
 
Apesar de não estar refletido na última classificação da Henley, que não considera proibições temporárias de viagens, é notável a análise de como a liberdade de viagens está atualmente limitada para passaportes anteriormente prestigiados.
 
O gráfico em azul mostra o número de países que o passaporte pode acessar de acordo com o último ranking. Em cinza o número com restrições da pandemia.
 
O passaporte dos EUA, por exemplo, que tradicionamente está entre os 10 principais, com cidadãos podendo acessar 185 destinos, agora permite acesso a 158. Desta forma, o país caiu para o mesmo nível de liberdade de viagens que Uruguai e México (classificados respectivamente em 28º e 25º. lugares). Outro caso notável é o do passaporte brasileiro, recentemente classificados em 19º. Antes da pandemia, o País contava com acesso sem visto a 170 países. Agora, este número caiu para 143, o mesmo do Paraguai, originalmente no 36º lugar na lista.
 
Christian H. Kaelin, presidente do conselho da Henley & Partners e inventor do conceito de índice de passaporte, disse que as restrições divulgadas pela União Europeia devem ser apenas o início de um série de medidas neste sentido.
 
“Nos próximos meses, veremos o surgimento de uma nova hierarquia global em termos de mobilidade, com países que efetivamente controlaram a epidemia tomando a liderança, enquanto os países que agiram inadequadamente com a pandemia ficarão para trás”, diz Christian Kaelin.
 
“Analisemos o passaporte dos EUA, por exemplo, em 2014, ele detinha o primeiro lugar do mundo em nosso índice. Mas os cidadãos dos EUA atualmente têm muito menos liberdade do que a maioria dos cidadãos de nações ricas e industrializadas e mesmo de nações menos desenvolvidas, ficando efetivamente proibidos de entrar na Europa. Nos próximos meses, veremos o surgimento de uma nova hierarquia global em termos de mobilidade, com países que efetivamente controlaram a epidemia tomando a liderança, enquanto os países que agiram inadequadamente com a pandemia ficarão para trás”, afima.
 
Dupla nacionalidade
 
Este cenário deve impulsionar dois movimentos: a busca por dupla nacionalidade e restrições de imigração com justificativas de controle epidemiológico, explica Yossi Harpaz, professor assistente de sociologia na Universidade de Tel Aviv.
 
“Mesmo na medida em que os países abram suas fronteiras, espera-se que vários governos usarão preocupações epidemiológicas como justificativa para imporem novas restrições de imigração e proibições de viagens direcionadas a nacionalidade que serão destinadas principalmente aos cidadãos de países em desenvolvimento. Os passaportes de nações tanto em desenvolvimento quanto desenvolvidas devem perder valor, pelo menos temporariamente. Em tempos tão incertos, a demanda global por dupla nacionalidade e vistos de investidores deverá crescer”.
 
 
 
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