A Família Acima de Tudo (e de Todos)

O bolsonarismo, em sua cruzada de costumes, resgatou uma tradição que parecia esquecida desde a Idade Média

A Família Acima de Tudo (e de Todos)

Foto: Divulgação

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Vamos brincar com os bolsonarists? A Família Acima de Tudo (e de Todos)


Diziam os antigos que a família é a célula mater da sociedade. Mussolini, que não era bobo e entendia de marketing antes do termo existir, elevou o conceito ao status de projeto de poder. O problema é que, entre a teoria da "família sagrada" e a prática do "clã em Brasília", a distância é a mesma que separa um jantar de domingo de uma convenção partidária.


O bolsonarismo, em sua cruzada de costumes, resgatou uma tradição que parecia esquecida desde a Idade Média: a da linhagem real. Naquela época, o rei cuidava dos rebentos distribuindo feudos; hoje, o método é o mesmo, trocando-se apenas as espadas pelas urnas. O patriarca provou ser um homem generoso com a prole. Espalhou o DNA político por câmaras, assembleias e senados, transformando a árvore genealógica num organograma de governo. Não há nada de litúrgico nisso; é apenas logística familiar.


Pelas bandas de Rondon, a "marmota" — como se diz por aí — resolveu dar as caras. Flávio, o filho que  mira a cadeira principal, passou para abençoar o mais novo ramo da árvore: Bruno, do Bolsonaro. O gesto, de uma fidalguia comovente, deixa no vácuo os outros aliados que, coitados, juram lealdade ao sobrenome mas não carregam o sangue. 


Mas é em Santa Catarina que o surrealismo ganha sotaque. Carlos, o mais impetuoso dos herdeiros — uma espécie de Zangado que trocou a picareta pelo Twitter —, descobriu-se subitamente catarinense. Vereador no Rio, resolveu que as areias da Joaquina são mais inspiradoras para o Senado do que as calçadas de Copacabana.


Sobre o domicílio, nada a declarar. O rapaz é frequentador assíduo das praias e dos clubes de tiro locais. Foi num desses, inclusive, que o destino cruzou os caminhos da família com o de Adélio Bispo, o sujeito perturbado que, com uma facada mal calculada e um efeito colateral bem aproveitado, garantiu o triunfo do projeto familiar em 2018.


Nessa marcha nupcial em direção ao poder absoluto, sobram as vítimas de ocasião. Desta vez, o alvo é Esperidião Amin.

 

Político de carreira, com mais quilometragem que a BR-101, corre o risco de ser despejado de sua cadeira no Senado para dar lugar ao herdeiro fluminense.


Na política de sangue, quem é apenas amigo acaba na sala de espera.


É a política transformada em herança. Se a moda pega, daqui a pouco o Brasil deixa de ser uma República para virar um grande condomínio fechado. Com sindicância vitalícia, é claro.

DANIEL PEREIRA, advogado e ex-governador de Rondônia.

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