Neste domingo, 15 de março, acontece a 98ª da cerimônia do Oscar e o cinema brasileiro marca presença com o consagrado filme do diretor Kleber Mendonça, "O Agente Secreto", tendo como protagonista Wagner Moura - que concorre na categoria melhor ator. O longa também está indicado em mais três categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e melhor elenco.
De acordo com os especialistas as chances de "O Agente Secreto" são relativamente maiores em comparação aos anos anteriores. O filme conquistou o prêmio de Melhor Direção e Melhor Ator no Festival de Cannes, além de ganhar dois Globo de Ouros nas categorias de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, dentre outros prêmios importantes.
Hora de torcer
No embalo da cerimônia do Oscar e da torcida brasileira pela vitória da produção de Kleber Mendonça Filho, pelo menos em uma ou duas categorias, nada melhor que uma retrospectiva dos títulos nacionais que tiveram a primazia de ser selecionados para representar o país na maior e mais badalada festa do cinema mundial. Haja coração!
Das dezenas de tentativas de conquistar a cobiçada estatueta dourada, apenas cinco filmes brasileiros conseguiram ser indicados: a crítica ao preconceito e ao sincretismo religioso em "O Pagador de Promessas", de Anselmo Duarte, em 1963; o drama abordando troca de casais no "O Quatrilho", de Fábio Barreto, em 1996; os bastidores do rapto de um embaixador norte-americano e a perseguição violenta do algozes disfarçados de patriotas da ditaduracivil-militar no contundente "O Que É Isso, Companheiro?", de Bruno Barreto, em 1998.
A emocionante história de uma professora aposentada e um órfão em busca do pai no clássico "Central do Brasil", em 1999; e a mais recente, "Ainda Estou Aqui", em 2025, a história da prisão e morte do ex-deputado Rubens Paiva torturado nos porões da ditadura e a luta de sua mulher Eunice Paiva parsa encontrar o corpo e fazer o estado reconhecer a morte do marido, ambos dirigidos por Walter Salles.
Tudo tem a primeira vez
A primeira candidatura do Brasil ao Oscar ocorreu em 1961, com o filme "A Morte Comanda o Cangaço". Dirigido por Carlos Coimbra e Walter Guimarães Motta, o filme chamou a atenção do público estrangeiro para o exotismo dos bandoleiros do sertão nordestino do Brasil.
No Oscar de 1963, o Brasil teve mais sorte com sua candidatura "O Pagador de Promessa", que conseguiu ser indicado e se tornou o primeiro filme brasileiro a concorrer na categoria de Melhor Filme Internacional (na época chamada de Melhor Filme Estrangeiro). Além disso, essa produção é reconhecida como a primeira e única do Brasil a conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cannes.
A produção de Hector Babenco, o tristemente profético "Pixote, a Lei do Mais Fraco" (1980), escolhida para representar o Brasil no Oscar. No entanto, após a aprovação da candidatura pela Academia, o filme foi desqualificado porque havia sido exibido nos cinemas antes da data permitida para elegibilidade.
Ainda assim, o filme foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, embora não tenha conquistado o prêmio. A atriz Marília Pera ganhou destaque internacional por sua performance no longa e foi premiada, não pelo Oscar, mas pela National Society of Film Critics Award de melhor atriz.
Depois de quatro anos sem enviar candidaturas, o Brasil retornou à categoria em 1996 com superestimado "O Quadrilho", que foi indicado ao Oscar. Dirigido por Fábio Barreto e baseado no livro homônimo de José Clemente Pozenato, o título é uma referência a um jogo de cartas comum na região, onde os parceiros trocam de lugar a cada mão, metaforizando a mudança nas relações dos casais.
No ano seguinte, "O Que É Isso, Companheiro?" (1997), dirigido por Bruno Barreto, irmão de Fábio, marcou a terceira indicação do Brasil na categoria de Filme Internacional. Estrelado por Pedro Cardoso e Fernanda Torres, o filme é uma adaptação do livro homônimo de Fernando Gabeira, publicado em 1979.
"Central do Brasil" marcou a última vez que o Brasil recebeu indicação na categoria de Filme Estrangeiro e também rendeu uma merecida indicação para Fernanda Montenegro na categoria de Melhor Atriz, tornando-a até 2024 a única atriz brasileira a receber essa honraria. O filme conquistou o Urso de Ouro de Melhor Filme no Festival de Berlim e o Urso de Prata de Melhor Atriz, além de um Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro.
Em 2003, o Brasil submeteu "Cidade de Deus" como representante do cinema brasileiro no Oscar. O longa de Fernando Meirelles e Katia Lund foi indicado ao Oscar 2004 nas categorias de Melhor Direção, para Fernando Meirelles, Melhor Roteiro Adaptado (Braulio Mantovani), Melhor Fotografia (César Charlone) e Melhor Montagem (Daniel Rezende). Feito agora igualado por "O Agente Secreto", com quatro indicações.
Ano passado, com "Ainda Estou Aqui), Walter Salles mais uma vez fez história, não apenas para o cinema brasileiro, mas para todo o mundo, ao ganhar o Oscar história de Melhor Filme Internacional em 2025. Esta foi a primeira estatueta do Brasil nessa categoria. Além de vencer como filme internacional, a obra recebeu indicações históricas para Melhor Filme e Melhor Atriz (Fernanda Torres). “Ainda Estou Aqui” é uma adaptação do livro homônimo escrito por Marcelo Rubens Paiva.
Então, domingo, 15 de março, vamos torcer para o cinema nacional, mais uma vez brilhar na noite do Oscar.