A Jovem Guarda, o programa e o movimento, teve em Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa seus maiores ídolos, e como o trio havia conquistado as paradas de sucesso e as jovens tardes de domingo da televisão, faltava invadir as telonas.
O primeiro longa-metragem, rodado em 1968, contou apenas com a participação de Roberto Carlos. O filme "Roberto Carlos em ritmo de aventura" tem roteiro do escritor e cronista Paulo Mendes Campos e Roberto Farias, na direção da película.
A produção é um divertido e surrealista exercício de metalinguagem, inclusive com a interferência do diretor do filme dentro do filme, Reginaldo Faria, irmão de Roberto. O personagem quebra a quarta parede e até Roberto Carlos faz o mesmo. Não é para levar a sério.
Na verdade, o filme tem um fiapo de enredo e serve como desculpa para mostrar RC cantando seus sucessos, paquerando ou sendo perseguido por fãs e ao mesmo tempo por bandidos que querem sequestrar o "Rei da juventude", a mando do vilão vivido pelo ator José Lewgoy, que interpretou vilões em nove entre dez chanchadas da Atlântida.
A sequência mais marcante é a do cantor no helicóptero fazendo um longo passeio pelos pontos turísticos de um Rio de Janeiro que não existe mais, porém está imortalizado no filme ao som de "Por isso corro demais". Inesquecível.
No mesmo ano, Roberto Farias reuniu Roberto, Erasmo e Wanderléa na aventura "O diamante cor de rosa". Cada um dos artistas tem seu espaço no longa para brilhar, inclusive há uma briga sensacional entre Roberto e Erasmo - sob efeito dos poderes do vilão, mais um José Lewgoy, que não negava fogo ao cinema brasileiro.
A história começa no Japão feudal com direito a lutas de samurais - não riam da maquiagem, e depois segue para o Rio de Janeiro dos anos 1960, onde os heróis descobrem o tal diamante do título. Muita ação e música marcam a segunda incursão de Roberto Carlos no cinema. Naturalidade nas falas e interpretações não são o forte do elenco e até Lewgoy exagera nas tintas. Mas quem liga?
O terceiro longa - "Roberto Carlos a 300 quilômetros por hora", saiu em 1971, mais uma vez dirigido por Roberto Farias, um excelente cineasta responsável por dois clássicos do cinema nacional: "O assalto ao trem pagador" e "Pra frente Brasil".
Desta vez estrelam apenas Roberto e Erasmo. Ainda no elenco, Raul Cortez, um famoso piloto, como antagonista do mocinho, o mecânico vivido por Roberto, cujo sonho é se tornar piloto. Roberto Farias deixa a comédia de lado e concentra seu filme nas cenas de carros em alta velocidade e algum romance e até a trilha sonora pouca música. RC quis mostrar seus dotes interpretativos, mas como ator, sempre foi melhor cantor e compositor.
No próximo dia 19 de abril, Roberto Carlos comemora 85 anos de vida. E este material integra uma série de quatro textos em sua homenagem. São tantas emoções...