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FORTE: Agronegócio sustenta o crescimento das exportações durante crise

A explicação para o bom desempenho do setor parece simples: a primeira necessidade é comer

EM.COM.BR

23 de Maio de 2020 às 11:18

Atualizada em : 23 de Maio de 2020 às 11:42

Foto: Divulgação

 

EM.COM.BR - Em pouco mais de três meses da crise global provocada pelo novo coronavírus, o agronegócio é o setor que apresenta os melhores resultados no Brasil, sustentando boa parte das vendas de mercadorias para outros países.
 
De fevereiro a abril, as exportações de produtos em geral somaram US$ 52,822 bilhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia. Somente as vendas de soja e derivados e de carnes - dois dos principais itens da pauta brasileira - somaram US$ 16,438 bilhões no período, cerca de um terço do total.
 
As vendas de soja e derivados e de carnes no intervalo de fevereiro - quando os efeitos da COVID-19 sobre o comércio global se intensificaram - a abril mostram um aumento de 24% em relação ao mesmo período do ano passado. Em comparação, as exportações em geral subiram apenas 0,7% no período.
 
Para o economista Simão Davi Silber, doutor em Economia Internacional e professor da Universidade de São Paulo (USP), o desempenho positivo do agronegócio, mesmo na crise global, tem uma explicação simples. "A primeira necessidade é 'comer'. E, para proteicos, o Brasil é fundamental", afirma.
 
Os países da Ásia são os principais clientes do Brasil. Com uma população superior a 1,4 bilhão de pessoas, China, Hong Kong e Macau compraram de fevereiro a abril o equivalente a US$ 17,734 bilhões em mercadorias brasileiras - a maior parte do setor agrícola. De cada US$ 100 em vendas feitas pelo país, um terço (US$ 33,57) foi para a região.
 
Esse cenário faz o setor aparecer como uma espécie de "ilha de bonança" no Brasil, em meio à derrocada econômica na pandemia. Dados do relatório Focus, do Banco Central, mostram que os economistas do mercado projetam atualmente retração de 5,12% do PIB em 2020. Enquanto o PIB de serviços - fortemente afetado pelo isolamento social - deve despencar 4%, o PIB da agropecuária pode subir 2,48%, conforme as projeções dos economistas.
 
"É possível que a queda do PIB no Brasil seja menor por conta do PIB agrícola", comenta a economista Vitoria Saddi, professora do Insper em São Paulo. Com a experiência de ter atuado em instituições internacionais como JP Morgan e Citibank, Saddi acredita que o comércio global após a pandemia poderá trazer oportunidades ao Brasil.
 
"Em momentos de crise profunda, como foi a da década de 1870 nos EUA (o Pânico de 1873) ou a Grande Depressão (iniciada em 1929), o mundo tende a se fechar", alerta a economista. "É quase como um subproduto da crise o fechamento do comércio no mundo."
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