O levantamento foi realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis para medir as percepções dos internautas residentes em 10 capitais brasileiras
Foto: Freepik
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Mais da metade das mulheres ouvidas em dez capitais brasileiras afirma já ter sofrido assédio em ruas, praças, parques ou praias. É o que revela levantamento do Instituto Cidades Sustentáveis, que ouviu 3.500 internautas de 16 anos acima.
Segundo a pesquisa, 56% relatam ter sido assediadas em espaços públicos. O transporte coletivo aparece em seguida, com 51% das entrevistadas dizendo ter sofrido assédio dentro de ônibus, trens ou metrôs. O ambiente de trabalho foi citado por 38% e bares e casas noturnas por 33%. Já 28% afirmam ter vivenciado situações de assédio no ambiente familiar, enquanto 17% mencionam ocorrências em transporte particular, como mototáxi, táxi e aplicativos.

Os dados indicam maior vulnerabilidade de mulheres jovens em locais abertos: entre 16 e 24 anos, o índice de assédio em espaços públicos chega a 69%. O percentual também é mais elevado entre mulheres com ensino superior (63%) e entre aquelas que se declaram ateias, sem religião ou que preferiram não responder (63%).
No transporte público, o índice sobe para 59% entre mulheres com ensino superior e para 58% entre aquelas que possuem, convivem ou se relacionam com alguém com deficiência. No ambiente de trabalho, 45% das mulheres com ensino superior relatam assédio — mesmo percentual verificado entre as que se declaram sem religião.
Em bares e casas noturnas, o percentual alcança 43% entre mulheres de 25 a 34 anos, com ensino superior e renda familiar acima de cinco salários mínimos. No ambiente familiar, o índice é maior (35%) entre mulheres que convivem com pessoas com deficiência. Já no transporte particular não foram identificadas diferenças estatisticamente significativas entre os segmentos analisados.

A pesquisa ouviu moradoras de Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Goiânia. A amostra foi composta por internautas das classes ABCDE, residentes há pelo menos dois anos nas capitais pesquisadas.
O estudo é quantitativo, com entrevistas online em painel de internautas. Como a distribuição da amostra por capital foi desproporcional, os resultados passaram por ponderação estatística para restabelecer a proporcionalidade entre as áreas e o perfil das respondentes, com controle de cotas por sexo, idade, classe social e ocupação.
Os números reforçam que o assédio permanece disseminado em diferentes ambientes da vida cotidiana, com destaque para os espaços públicos e sistemas de transporte, e evidenciam recortes específicos de maior exposição conforme idade, escolaridade e contexto social.
* O resultado da enquete não tem caráter científico, é apenas uma pesquisa de opinião pública!