Contrariando declarações e documentos apresentados ao Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO), um papel assinado por um servidor da Prefeitura de Porto Velho e fotografias do local entregues pelo denunciante, reascende o caso da utilização de máquinas e recursos públicos em obras realizadas no pátio de uma igreja Assembleia de Deus, ligada a uma liderança próxima à vice-prefeita Magna dos Anjos. A vice-prefeita, dirigentes religiosos e servidores podem ter mentido para o MP.
O caso
No ano passado, uma denúncia do
Rondoniaovivo mostrava que estava sendo asfaltado o pátio da Assembleia de Deus sem nenhum convenio, usando do conhecido ‘jeitinho brasileiro’. Foi fotografado um caminhão pipa da PMPV deixando o local. O Ministério Público abriu procedimento para investigar e uma tramoia foi montada para enganar o promotor.
E assim criaram um documento para o então servidor da Seimfra assinar, declarando que no dia 24 de julho de 2025 uma equipe da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) executava serviços de base para asfaltamento no cruzamento da Rua Antônio Violão com a Avenida Amazonas. Durante a atividade, segundo o documento, houve um pedido de apoio de uma empresa terceirizada que atuava nas proximidades.
O servidor atestou ter utilizado apenas um caminhão-pipa da Prefeitura, com água reaproveitada, para dar continuidade ao serviço. O texto descreve a ação como rápida e pontual, limitando-se à entrada do veículo no pátio da igreja, à molhagem do solo e à saída imediata do local. Após a feitura do documento, foi aberto um PAD – Procedimento Administrativo Disciplinar contra o servidor e o MP fez um TAC – Termo de Ajuste de Conduta com a igreja e município
A verdade
Essa versão vem sendo contestada pelo ex-servidor que trabalhava na Seinfra e fez registros em imagens datadas e georreferenciadas e mostra que descaradamente mentiram para atrapalhar a investigação.
Imagens feitas por Sandro mostram que o pátio da igreja foi completamente asfaltado. Também mostra outras máquinas públicas trabalhando no local. Foram deslocados para a obra ilegal, duas rolos compactadores, um liso e um de pneu, além de um caminhão espargidor de piche (massa asfáltica). Também acusa de ter ido retirar o material no pátio da Semob, tendo levado para o pátio da igreja, cerca de 12 toneladas de emulsão avaliada em mais de 200 mil reais.
O mediador
Sandro Barbosa também mostrou suas conversas no aplicativo Whats App com o ex-deputado Valter Araújo que seria o contato da igreja para a obra ilegal. Araújo foi condenado pela justiça por corrupção no âmbito da operação Termopilas da Policia Federal.
A fuga das provas
Também contou para a reportagem que quando chegou a informação que teria uma reportagem fotografando no portão da Igreja, dirigentes da Assembleia de Deus, teriam aberto um portão nos fundos para retirada furtiva das maquinas do pátio.
Obra realizada
À época da denúncia, foi firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o Ministério Público e os responsáveis, com base nas informações iniciais, especialmente relacionadas apenas ao uso do caminhão-pipa. O acordo previa a devolução dos valores correspondentes ao serviço apontado na investigação.
Com o surgimento das novas imagens e novas informações, a apuração indica que não se tratou apenas de uma intervenção pontual, mas de uma obra concluída de asfaltamento em toda a área interna da igreja. E para piorar, com criação de uma operação para fazer de tolo o promotor. Com a reviravolta, o TAC pode ser desfeito e os envolvidos responderem por improbidade administrativa.