APURAÇÃO: Gestão da saúde em Vilhena levanta questionamentos sobre responsabilidades

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A gestão da saúde pública em Vilhena voltou ao centro do debate político após uma sequência de manifestações envolvendo a Câmara Municipal, a Prefeitura, a Santa Casa de Chavantes e, indiretamente, o Governo do Estado de Rondônia. As declarações reacenderam questionamentos sobre falta de medicamentos, atraso de salários de médicos e a origem dos problemas financeiros que atingem o Hospital Regional e a UPA do município.
 
O tema ganhou força durante a primeira sessão ordinária de 2026 da Câmara de Vereadores, quando o presidente da Casa, vereador Celso Machado (PL), fez um discurso duro na tribuna, sugerindo inclusive a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Grupo Chavantes, entidade responsável pela gestão das unidades de saúde.
 
 
Reclamações e ameaça de CPI
 
No pronunciamento, Celso Machado relatou que a Câmara tem recebido reclamações recorrentes sobre a falta de medicamentos para pacientes internados, mesmo com contratos e pagamentos formalizados. O parlamentar também mencionou dificuldades relacionadas ao pagamento de médicos e criticou a condução administrativa da entidade.
 
Sem citar nomes de profissionais, o vereador afirmou que há receio de represálias e defendeu o papel fiscalizador do Legislativo, destacando que o contrato com a Chavantes está entre os maiores firmados pela Prefeitura de Vilhena. Durante o discurso, Celso sugeriu que apenas uma CPI poderia esclarecer a situação à população.
 
 
Resposta atribuída ao prefeito aponta o Estado
 
Após a repercussão das declarações, aliados do prefeito Delegado Flori (Podemos) passaram a divulgar uma manifestação atribuída ao gestor municipal, publicada por um site local. No conteúdo, o prefeito associa os problemas enfrentados pela Chavantes à falta de repasses do Governo do Estado de Rondônia.
 
Segundo a publicação, o governador Marcos Rocha teria assumido a gestão do Hospital Regional e, desde então, acumulado uma dívida superior a R$ 13 milhões com a entidade responsável pela administração. A alegação é de que, sem os recursos estaduais, ocorrem atrasos no pagamento de médicos e dificuldades na compra de medicamentos.
 
A própria Santa Casa de Chavantes teria informado que sua capacidade de cumprir obrigações depende diretamente dos repasses previstos em contrato com o Estado.
 
 
Hospital Regional em transição de gestão
 
Outro ponto levantado no debate é o fato de o Hospital Regional de Vilhena estar em um período de transição. Conforme explicado pelo vereador Celso Machado, a unidade permanecerá sob controle municipal por até seis meses, até a conclusão de uma licitação que definirá a próxima empresa gestora, podendo ser a própria Chavantes ou outra organização.
 
Mesmo sendo considerado vereador da base do prefeito, Celso reforçou críticas à entidade e apontou que problemas na saúde municipal são de conhecimento generalizado, embora nem sempre publicizados.
 
 
De quem é a responsabilidade?
 
Com discursos contundentes, respostas indiretas e a possibilidade de abertura de uma CPI, o cenário levanta questionamentos sobre onde está a origem dos problemas: na gestão da empresa contratada, na administração municipal que firmou os contratos, ou nos atrasos de repasses por parte do Governo do Estado.
 
Enquanto isso, o debate segue em aberto no Legislativo e no meio político local, com reflexos diretos sobre a prestação dos serviços de saúde em Vilhena e a definição de eventuais responsabilidades administrativas e financeiras.
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