Épicos religiosos para assistir na Semana Santa - Por Humberto Oliveira

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Foto: Divulgação

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Jesus Cristo talvez seja a pessoa que tem sido mais retratado no cinema desde os filmes mudos e preto e branco até a chegada do som, das cores e do grandioso Cinemascope, sistema de filmagem criado para suplantar a concorrência da minúscula tela da televisão que, nos anos 1950 estava conquistando cada vez mais espectadores.
 
O cinema - por cinema entenda-se Hollywood - estava enfrentando mais uma crise, afinal as famílias passaram a preferir assistir a programação televisiva no conforto do lar e com isso, as salas de exibição estavam quase vazias ou até sendo fechados. Os estúdios precisaram ser criativos para chamar o público de volta. 
 
Uma das novidades à época era o CinemaScope. O filme que inaugurou a nova onda foi o épico religioso "O Manto Sagrado", baseado no livro de Lloyd C. Douglas, dirigido por Henry Koster e protagonizado por Richard Burton, Jean Simmons, Victor Mature, e Jay Robinson, numa performance impagável e deliberadamente exagerada, como Calígula. 
 
Richard Burton interpreta Marcellus Gallius, um centurião romano encarregado de supervisionar a crucificação de Jesus, mas quando ele ganha a túnica de Cristo jogando dados aos pés da cruz, sua vida muda para sempre. Esta história comovente atinge um nível de grandeza verdadeiramente espetacular, e seu elenco excepcional faz dele um dos maiores sucessos de bilheteria bíblicos já exibidos nas telas, indicado a 5 Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator.
 
 
"O Manto Sagrado" continua como um dos melhores épicos religiosos de todos os tempos. Em 1954, com o sucesso do longa, uma continuação foi produzida, desta vez focada no personagem vivido por Victor Mature no filme original. "Demétrius, o gladiador" (gravia na edição nacional ficou Demétrius e os gladiadores), dirigido por Delmer Daves. Ainda no elenco Susan Hayward Ernest Borgnine, Michael Rennie, Debra Paget, Anne Bancroft e Jay Robinson, reprisando seu papel como Calígula.
 
O Rei dos reis
 
 
Sempre apreciei mais o emocionante "O Rei dos reis".  Dirigido por Nicholas Ray, o épico tem como protagonista o ator Jeffrey Hunter- intérprete do primeiro capitão da nave Enterprise, do episódio piloto da série clássica Jornada nas Estrelas. 
 
Um Jesus louro e olhos azuis, a época não incomodou ninguém, certamente hoje seria bem diferente, por conta do "politicamente correto". No entanto, deixando de lado as polêmicas, Hunter faz um Jesus, digamos zen, tranquilo e preparado para pregar a palavra de Deus e arregimentar seus discípulos em meio a pessoas simples e de pouco conhecimento. 
 
Ray trabalhou num gênero que não era o dele, acostumado a realizar filmes noir, faroestes, guerra e drama, e inclusive recebeu algumas críticas pelo seu trabalho à frente dessa refilmagem da primeira versão muda. Um dos destaques é a grandiosa cena do sermão da montanha com a participação de centenas de figurantes. Muitos deles se emocionaram com a pregação de Hunter ao som da música inesquecível composta por 
Miklós Rózsa. 
 
Ben-Hur 
 
 
Não poderia deixar de citar Ben-Hur, épico clássico dirigido pelo extraordinário William Wyler, um dos maiores cineastas da história do cinema. Tendo como protagonista outra lenda de Hollywood, o ator Charlton Heston - notável por suas interpretações de Moisés, em Os dez mandamentos, de Cecil B. De Mille e El Cid, de Anthony Mann - e vencedor do Oscar de melhor ator por Ben-Hur, que das 12 indicações conquistou 11 estatuetas. Incluindo melhor filme e melhor diretor para Wyler. 
 
A história, todos conhecem. O aristocrata judeu Judá Ben-Hur tem sua vida destruída por sua recusa em trair seu povo a pedido de um amigo de infância, o arrogante Mesala, tribuno romano que condena Hur às galés e a mãe e irmã do ex-amigo às marmorras. Ao longo das 3h35 minutos de duração, o público testemunha a ascensão de Ben-Hur que, retorna para se vingar do homem que o prejudicou e sua família. 
 
O filme é baseado do livro Ben-Hur, uma história dos tempos de Cristo, do general Lewis Wallace, um militar, advogado, diplomata e escritor norte-americano. Publicado em 12 de novembro de 1880, o romance histórico tornou-se um dos livros mais vendidos e influentes do século XIX, consolidando-se como um clássico. 
 
Jesus não é o foco do longa - mas o pouco que aparece é marcante, e inclusive nunca é mostrado o rosto do ator que o interpreta. Foi uma solução do diretor. Perguntado por que, ele respondeu  - ninguém sabe como era o rosto de Jesus. Os caminhos do Nazareno e Ben-Hur se cruzam quando este segue acorrentado e Ele lhe dá água. Um guarda tenta impedir, mas não consegue. Somente no momento da via crucis, Hur e Jesus se encontram novamente e na cena, a situação se inverte. É Judá quem dá água para Jesus.
 
Jesus de Nazaré 
 
 
Outra importante produção contando a vida, paixão e morte de Jesus, é a minissérie para televisão com cinco horas de duração, "Jesus de Nazaré", de Franco Zefirelli. O ator Robert Powell interpreta Jesus nesta super produção exibida nos cinemas em duas partes. O elenco é grandioso e internacional. Ernest Borgnine, Anne Bancroft, Olivia Russell, Michael York, Lawrence Olivier, James Earl Jones, Christopher Plummer, Ian McShane, Claudia Cardinale, Ian Holm, Peter Ustnov, Anthony Quinn, James Mason, Rod Steiger e mais. 
 
A maior história de todos os tempos 
 
 
George Stevens, diretor de "Shane", "Um lugar ao sol" e "Assim caminha a humanidade", também resolveu entrar na seara do gênero épico religioso com o eloquente "A maior história de todos os tempos". O longa traz o ator Max Von Sydow no papel de Jesus. Sydow atuou em filmes dirigidos pelo cineasta sueco Ingmar Bergman e sempre com atuações brilhantes, no entanto, sob a batuta de Stevens, sua performance como Jesus é sem cor, insípida e pouco inspirada. 
 
De todos os longas retratando a vida e morte do filho de Deus, apesar do elenco expressivo, este é o que menos gosto. Mas existem aqueles que acham o contrário. Vale uma olhada, caso não encontre "O Rei dos reis" ou "Jesus de Nazaré".
 
Polêmicos 
 
 
O diretor italiano Pier Paolo Pasoloni levou ao cinema sua versão da vida de Jesus, mas um Jesus revolucionário no polêmico O evangelho segundo São Mateus. O cineasta utilizou não atores, incluindo o intérprete de Jesus. O longa acompanha a peregrinação do Homem de Nazaré, o recrutamento dos apóstolos, e o roteiro mostra o Filho de Deus, não como um ser divino, mas quase um revolucionário ajudando aqueles das camadas sociais mais baixas e criticando a ambição dos ricos. Só poderia causar furor e polêmicas.
 
A lista está se alongando e por isso, vou acrescentar apenas mais três títulos. "A última tentação de Cristo", do diretor Martin Scorsese.  A obra cinematográfica foi recebida com protestos por parte de religiosos que, viram no longa uma ofensa e a pior das blasfêmias ao filho de Deus. No filme, Jesus, papel de Willem Dafoe, sente-se inseguro quanto à missão dada por Deus. No momento da crucificação, um anjo o salva e passa a viver sua humanidade, casando e tendo filhos. Não poderia agradar. 
 
O longa é baseado no livro homônimo do escritor Níkos Kazantzákis. A obra, assim como a versão cinematográfica, tratam da dualidade e o conflito da natureza divina e humana de Jesus Cristo. A Igreja Católica escomungou o escritor e ameaçou Scorsese com uma campanha de boicote ao longa, caso fosse lançado. A grita, para variar, serviu mais como propaganda para a produção. Sinceramente, não considero "A última tentação de Cristo", um trabalho digno de figurar entre os melhores da filmografia do cineasta. 
 
Mais uma polêmica, o filme "Eu Vos Saúdo, Maria" (Je vous salue, Marie), dirigido por Jean-Luc Godard, uma releitura moderna e controversa do nascimento virginal de Jesus. O longa retrata Maria como uma estudante que trabalha num posto de gasolina e José como taxista. O filme gerou grande polêmica religiosa, foi condenado pelo Papa João Paulo II e censurado no Brasil por O Globo. O presidente do Brasil, à época, José Sarney proibiu a exibição nos cinemas brasileiros e o carola Roberto Carlos, um censor nato, enviou mensagem a Sarney o congratulando pela intervenção ao longa. 
 
 
Por fim, mas não menos importante e polêmica, "A paixão de Cristo", dirigido por Mel Gibson. A produção chocou o público mais sensível pela violência extrema e torturas contra Jesus pelos romanos. O ator Jim Caviezel sentiu na pele o peso do personagem e numa cena da crucificação, um raio quase o eletrocutou. Também acabou ferido ao ser atingido nas gravações das cenas realistas de espancamento. 
 
Série de sucesso
 
 
A série "The Chosen", em português "Os escolhidos", já em sua quinta temporada, conta a história de Jesus a partir de um ponto de vista dos seus 12 discípulos e outros personagens que viveram naquela época. Alguns episódios de início de temporadas foram reunidos e exibidos nas salas de cinema em todo o mundo, sempre com muito êxito de público e crítica. Em breve, mais dois episódios chegarão às telas grandes, desta vez, focados na santa ceia.
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