A nova edição do jornal independente Cool do Mundo, produzida em Vilhena, começou a circular nesta semana em grupos de aplicativos de mensagens trazendo uma abordagem crítica sobre a situação da segurança pública em Rondônia. Na edição nº 24, o destaque é uma reportagem que aponta o avanço das facções criminosas e questiona a atuação do poder público estadual.
A matéria tem como ponto central o sequestro de um adolescente de 17 anos, ocorrido no último dia 19 de abril, em plena luz do dia, no bairro Cristo Rei, em Vilhena. O caso, registrado por câmeras de segurança, é apresentado como símbolo da escalada da criminalidade na região e da sensação de insegurança vivida pela população.
Segundo o texto, o crime teria sido praticado por integrantes de facções criminosas, com menções ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). As imagens mostram o momento em que a vítima é abordada e levada sob ameaça para dentro de um veículo. Ainda de acordo com a publicação, vídeos gravados pelos próprios autores circularam nas redes sociais, reforçando o clima de intimidação.
A reportagem também amplia o debate ao relacionar o avanço da criminalidade a fatores socioeconômicos. O jornal aponta que, apesar do desempenho econômico de Vilhena, a concentração de renda e a falta de oportunidades para jovens contribuem para a vulnerabilidade e possível aliciamento por organizações criminosas.
Outro ponto abordado na publicação é a gestão da segurança pública no estado. O conteúdo traz críticas à ausência de concursos para recomposição do efetivo da Polícia Militar e à estrutura de atendimento emergencial, destacando que chamadas feitas ao 190 em Vilhena são direcionadas para uma central em Ji-Paraná, o que, segundo o texto, pode impactar o tempo de resposta.
A edição também menciona questionamentos sobre prioridades administrativas e decisões políticas, incluindo deslocamentos de agentes de segurança para funções administrativas e debates sobre a atuação do governo estadual diante do cenário atual.
Como complemento, o jornal cita reportagem internacional sobre a expansão do PCC, destacando a atuação da facção em escala global e sua evolução ao longo das últimas décadas.
A publicação do Cool do Mundo tem repercutido nas redes sociais pela linguagem direta e pelo tom crítico, levantando discussões sobre segurança pública, políticas sociais e o papel do Estado diante do avanço do crime organizado em Rondônia.