DOCUMENTÁRIOS: Os segredos de Walter Mercado e um matador de gatos - por Marcos Souza

DOCUMENTÁRIOS: Os segredos de Walter Mercado e um matador de gatos - por Marcos Souza

Foto: Divulgação

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Duas ótimas dicas de documentários. O primeiro é ótimo e perfeito para quem gosta de conferir perfis de figuras populares, como no caso do excêntrico astrólogo Walter Mercado - que ficou famoso pelo bordão “Ligue Djá” -, uma figura constante nos anos 90 que brilhava nos anúncios televisivos.
 
O outro é um documentário em três partes sobre um jovem que tem um canal no Youtube e resolve publicar vídeos polêmicos torturando e matando gatos. Porém um grupo de pessoas que assistiram os vídeos se unem pelas redes sociais, revoltados, resolvem fazer uma investigação policial via online numa rede de amigos que devastam tudo sobre o jovem psicopata. Esse documentário é notável, por mostrar que pela internet, com as ferramentas adequadas é possível caçar um assassino. 
 
Dois documentários com pegadas diferentes, mas notáveis pela execução em destacar dois perfis bem distintos. Um exótico e um psicopata.
 
 
 
"LIGUE DJÁ - O LENDÁRIO WALTER MERCADO" - Esse é um documentário de 2020 que conta a vida do astrólogo mais famoso do mundo, Walter Mercado. É um querido. A sua figura exótica é o que ele é. Tive que expurgar meu preconceito contra ele por conta daqueles comerciais nos anos 90 e que eram exibidos no SBT, quem não lembra do "Ligue Djá"?!?
 
O documentário, que já está disponível na Netflix, mostra que além de exótico, Walter Mercado, que nasceu em Porto Rico, sempre foi uma pessoa diferenciada. Extravagante, mas antes de tudo acessível e adorava estar no meio do povo e todos aqueles que o adoravam.
 
Virou um ídolo em vários países, mesmo com toda a sua breguice, os gestos exagerados e as mensagens repetidas sobre respeito a vida, confiança e amor. Celebrava a liberdade antes de tudo.
 
Os realizadores reuniram fotos e bastante material antigo do astrólogo. Até quando era menino e alguns diziam que ele era santo, pois fazia pequenos milagres, então a sua mãe criou um pequeno santuário. Ou seja, desde criança Mercado já tinha o dom de ser o centro das atenções.
 
Interessante ver que ele foi bailarino e até ator de novelas (canastrão, mas engraçado) até usar a astrologia num pequeno quadro em um programa de variedade na TV portoriquenha e aos poucos se tornar um astro.
 
O documentário lida também com especulações sobre suas preferências sexuais, se era gay. Em um país homofóbico e machista, Mercado sabia sobrepor essa questão se mantendo discreto e dizia que sua relação com o amor estava acima de qualquer rótulo, pois ele tinha uma mensagem de amor e respeito a todas as pessoas.
 
 
Seus sumiços seguidos, assim como teorias de conspiração, também são abordados no documentário. O Brasil era o segundo maior público de Mercado, e ele se popularizou aqui com as ligações do 10900. Cujas consultas via fone eram cobradas nas contas telefônicas.
 
Em muitos momentos, principalmente nas entrevistas com ele aos 87 anos parece uma senhorinha - sempre maquiado e cabelo armado - delicada, mas sem esconder os trejeitos que o fizeram famoso.
Fácil de gostar de sua figura no filme e até mesmo quando mostra que ele entrou numa arapuca armada pelo seu empresário e amigo - que acho que foi seu grande amor: Bill Bakula.
 
Mercado confiava tanto nele que assinou sem ler um contrato feito por Bill e que dava ao empresário a propriedade da marca Walter Mercado e todos os seus ganhos, até mesmo contrato televiso, merchants, produtos e eventos. Para piorar, em uma das cláusulas dizia que o contrato era inviolável, não podia ser desfeito e era permanente.
 
Claramente um ato que desconsertou Mercado e acabou com a sua fortuna, pois ele passou seis anos presos a esse documento trabalhando sem receber. Esse baque com Bill foi tão forte que acabou com a sua saúde e provocou a sua retirada do show business, ainda idoso Mercado tinha uma retórica comovente e vivia de ótimas lembranças, com uma relação viva com seus fãs.
 
Uma revelação esse documentário. Vale a pena assistir e encerra com uma forma tão positiva ao conceder a ele uma sessão de fotos com as suas roupas e capas mais extravagantes.
 
 
 
"DON’T FUCK WITH CATS : UMA CAÇADA ONLINE" -  Esse documentário, de 2019, em três episódios da Netflix, que está disponível no catálogo há um tempo, vez ou outra volta para os destaques da plataforma de streaming pelo tema - um true crime assombroso. Escrito e dirigido por Mark Lewis é atualíssimo e traz a tona o caso de Luka Magnotta, uma das histórias mais surreais e incríveis de uma mente perturbada e extremamente inteligente.
 
Tudo inicia com a divulgação de um vídeo na internet de um rapaz que não se identifica e mata gatos de forma cruel. O vídeo acaba mobilizando uma analista de dados de um cassino de Las Vegas, Deanne Thompson, que quer saber quem teria coragem de filmar e compartilhar tamanha crueldade. Em primeiro momento ela inicia uma parceria com um grupo de salvadores de animais, que resgatam cães e gatos de situações de violência e cria um grupo no Facebook com a missão de descobrir a identidade do homem misterioso.
 
Logo encontram um suspeito, porém mesmo com certa semelhança com o homem do vídeo, não é ele. Mas o falso suspeito sofre tanta pressão midiática nas redes sociais que acaba tirando a própria vida. Isso faz com que voltem a estaca zero e a repensar sobre o modo como agiram, chegando a vasculhar nas redes sociais sinais que identificassem o suspeito.
 
Outro vídeo é divulgado pelo mesmo homem, mostrando agora o afogamento de um gato na banheira e depois outro com um gato sendo devorado por uma cobra. É quando o grupo aumenta e surge John Green - nome fictício -, que junto com a analista resolvem aprofundar as investigações sobre quem de fato seria o criminoso. 
 
 
Eles usam todos recursos cabíveis da internet e a exposição nas redes sociais, até chegar a um suspeito, Luka Rocco Magnotta, um canadense que parece ser uma estrela das redes sociais, jovem, bonito, com ambição de querer ser ator e que usa a internet para ser famoso. Incluindo diversos perfis o seguindo ou compartilhando suas fotos como modelo e de viagens pelo mundo, dando a entender ser uma pessoa rica.
 
 
Seria de fato ele o assassino dos gatos?
 
O grupo, com base nas informações das centenas de fotos de Luka, mais os vídeos compartilhados por ele iniciam uma busca pelo seu paradeiro para formalizar uma denuncia as autoridades. É quando a mensagem mais clara do documentário é mostrar o quanto a exposição na internet pode ser perigosa em todos os sentidos, incluindo a criação de uma pessoa que busca a fama de qualquer forma e Luka traça um plano absolutamente assustador nas suas intenções, o que remete até onde ele consegue manipular quem o observa ou stalkeia.
 
Através da produção tosca dos vídeos, trilha sonora - a música "True Faith", do New Order, que utiliza como fundo musical em dois momentos da investigação que se cruzam, ou da roupa e lugares onde ele tira fotos - o canadense é muito vaidoso e gosta de se expor - a analista Deanne traça um perfil de hedonismo de Lukas, e descobre que ele é uma farsa e que algumas fotos são montagens.
 
O grupo, através da insistência de John Green, descobre onde ele mora e aciona a polícia. O modo como ele mapeia através de uma foto tirada na varanda de um apartamento até chegar ao local exato utilizando o Street Views do Google é incrível.
 
O interessante é que o diretor Mark segue em muitos momentos dos episódios o estilo Sreenlife (conhecido também como Desktop Documentary Cinema) utiliza todos os recursos de imagens da internet, mostrando diálogos no Messenger, Street Views, captura de imagens, vídeos de câmeras de segurança, ao mesmo tempo em que vai apresentando uma narrativa sólida, com depoimentos autênticos dos envolvidos e testemunhas, e conseguindo prender a atenção pelas revelações assustadoras do maniqueísmo de Luka e a sua percepção doentia nas busca da notoriedade.
 
 
Quando se descobre o crime horrível de Luka, e a polícia canadense entra na história vamos descobrir a mente psicopata dele e da forma como conseguiu manipular quem ele queria para mostrar que estava um passo a frente, mesmo não medindo consequências avassaladoras.
 
O processo investigativo envolve polícias do Canadá, França e Alemanha. E o mais impressionante é a natureza dos detalhes do crime de Luka com referências de filmes, trilha, reprodução de cena e até o surgimento de um personagem que será o seu álibi. 
 
A efeito a discussão do documentário é: até onde nós, como usuários da internet, podemos alimentar a necessidade de notoriedade de um psicopata como Luka Magnotta? Criando um monstro e tornando-o famoso como deseja.
 
Um detalhe no encerramento do último episódio serve de advertência até mesmo da existência desse documentário.
 
Detalhe: esse caso ficou muito famoso na época, 2012, e os vídeos amadores dos crimes de Luka, filmados por ele, por incrível que pareça ainda estão disponíveis na internet. Não recomendo, fique só com esse documentário da Netflix, que é excelente.
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