Antes da morte de Marta Isabelle dos Santos, de 16 anos, a madrasta da adolescente, Ivanice F. S., usou um grupo de igreja no WhatsApp para pedir orações pela jovem. No áudio, obtido pelo
Rondoniaovivo nesta quinta-feira (26), a mulher afirmava que a enteada estava ‘desenganada pelos médicos’.
Como registrou o jornal, Marta Isabelle foi encontrada morta em uma casa no bairro Jardim Santana, zona Leste de Porto Velho. O corpo apresentava sinais de tortura e desnutrição severa. Além de Ivanice, o pai da vítima, Callebe J. D. S., e a avó Benedita M D.S. foram presos.
Callebe teria confessado, segundo a polícia, que mantinha Marta amarrada na cama com fios elétricos. A jovem teria fugido de casa no final do ano passado, foi encontrada e desde então mantida presa. O
Rondoniaovivo apurou que Marta era agredida pelo menos desde 2024.
Os dois acusados eram pastores fervorosos, e dirigiam a Igreja Ministério Apocalipse Profético. “Convidamos eles uma vez para nossa igreja, e a ‘pastora Nice’ até pregou. Marta era uma menina tímida, gentil. Se não falassem com ela, ela não falava. Ria com a gente, mas o tempo todo com a timidez”, disse Daniela*, fiel da Casa de Oração Missionária de Jesus Cristo ouvida por Rondoniaovivo.
Ivanice e Callebe eram respeitados no meio evangélico, mas Daniela disse que testemunhas suspeitavam que ‘alguma coisa tinha acontecido’, porque eles não atendiam a telefonemas na quarta-feira (25). Um vídeo de Callebe pregando na casa de oração circula nas redes sociais, mas os fiéis esclarecem que eles eram apenas convidados.
Na gravação enviada ao grupo da igreja, Ivanice simulava desespero: “A paz do Senhor Jesus. Glória a Deus. A pastora está passando aqui com o coração muito partido, muito aflito, e eu quero ver aqui os verdadeiros profetas deste grupo. Eu quero levantar um clamor hoje à noite. Estou convocando todos os profetas para levantar uma corrente de oração juntamente comigo em prol da saúde da minha enteada, Marta Isabele, porque ela está enferma e já está desenganada pelos médicos”, disse.
* Daniela é nome fictício para preservar a identidade da fonte.