JATAPU: Pescador encontra gravuras rupestres inéditas em rio na Amazônia

O achado pode revelar o primeiro sítio arqueológico de cidade em RR

JATAPU: Pescador encontra gravuras rupestres inéditas em rio na Amazônia

Foto: Reprodução/Instagram

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Uma expedição de pesca esportiva no sul de Roraima resultou em uma descoberta rara e potencialmente histórica. O pescador Marcell Reis identificou cerca de 30 gravuras rupestres ao longo das margens do rio Jatapu, no município de Caroebe — uma área que, até então, não possuía nenhum sítio arqueológico oficialmente registrado.
 
As inscrições foram encontradas durante um percurso de aproximadamente 70 quilômetros feito de caiaque. Diferente de pinturas, os registros são petroglifos — desenhos entalhados diretamente na rocha — com formas geométricas e simbólicas ainda não decifradas. A preservação das gravuras chama atenção e levanta a possibilidade de que tenham mais de 5 mil anos.
 
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional confirmou que o local não consta em seus registros oficiais, o que amplia a relevância da descoberta. Caso seja validado como sítio arqueológico, este poderá ser o primeiro de Caroebe catalogado pelo órgão.
 
A descoberta reforça indícios de ocupação humana ancestral na região amazônica, sugerindo que o rio Jatapu pode ter sido um importante corredor de civilizações antigas. Para especialistas, achados como esse ampliam o entendimento sobre a presença humana na Amazônia muito antes da chegada dos europeus ao continente.
 
 
Segundo relato do pescador, essa não foi uma ocorrência isolada. Ao longo de diferentes expedições, ele já havia encontrado outros registros semelhantes, indicando que a área pode concentrar um conjunto ainda maior de vestígios arqueológicos não estudados.
 
Em resposta, o IPHAN entrou em contato com Marcell Reis para obter mais informações e planejar uma investigação detalhada. A equipe de arqueologia do órgão prevê ações de fiscalização na região, considerando o regime hídrico local, com expectativa de operação ainda neste período. A urgência na coleta de dados se deve à necessidade de organizar a logística de transporte fluvial e deslocamento técnico.
 
O caso expõe um ponto crítico: mesmo com a dimensão territorial e riqueza histórica da Amazônia, áreas inteiras seguem sem mapeamento arqueológico adequado. A descoberta em Caroebe não apenas desafia esse vazio de informação, como também evidencia o papel de agentes não acadêmicos como pescadores e exploradores locais na identificação de patrimônios históricos ainda desconhecidos.
 
O que está em jogo agora não é apenas a curiosidade sobre os símbolos gravados na pedra, mas a possibilidade concreta de reescrever parte da história da ocupação humana na Amazônia brasileira.
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