25 de janeiro, além do aniversário de Tom Jobim, é comemorado o dia da Bossa Nova, daí a escolha da data. Desde o seu surgimento, no idos de 1959, a música brasileira mudou, invariavelmente para pior, principalmente dos anos 1980 para cá.
A Bossa Nova conquistou o mundo, e mais ainda os Estados Unidos e o Japão, países onde as músicas de Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Johnny Alf, Roberto Menescal e Ronaldo Boscoli, Carlos Lyra, João Gilberto, João Donato, Nara Leão, Leny Andrade, Sylvia Telles, Alaide Costa, Astrud Gilberto, apenas para citar alguns nomes, são ouvidas e respeitadas.
O jornalista e biógrafo Ruy Castro com a publicação do clássico e definitivo livro Chega de Saudade, a história e as histórias da Bossa Nova, deu novo fôlego ao estilo musical e chamou a atenção do público para seus criadores e participantes, aliás alguns ainda vivos e na ativa, entre eles, Roberto Menescal e Paulo Sérgio Valle. Ainda de autoria de Castro, a mesma editora Companhia das Letras publicou A onda que se ergueu no mar, novos mergulhos na Bossa Nova, desta vez trazendo à luz alguns artistas precursores do movimento. Duas leituras obrigatórias.
Outros escritores também contribuíram para contar e fortalecer a história da onda bossanovista. Zuza Homem de Mello, por exemplo, deixou pelo menos duas obras fundamentais: Eis aqui os Bossa Nova, repleto de depoimentos dos principais cabeças como Tom, Vinicius, Menescal e mais. E o excelente Amoroso, uma biografia de João Gilberto, seu último livro e lançado pela Companhia das Letras postumamente.
Ao nome de Zuza podemos acrescentar mais autores e pesquisadores importantes. Sérgio Cabral, pai que publicou biografias de Tom Jobim e Nara Leão, e Tárik de Souza, autor do recente João Gilberto, a insurreição Bossa Nova - outros lados da história. Um livro robusto e recheado de informações.
Poderia citar pelo menos mais dez ou 12 livros abordando o tema, entre outros, A Bossa do Lobo, Ronaldo Bôscoli, do excelente biógrafo Denilson Monteiro que entrega uma biografia muito escrita e definitiva sobre o eterno parceiro de Roberto Menescal. O cantor e compositor Carlos Lyra também optou por contar a história pelo seu ponto de vista no ótimo Eu e a Bossa, inclusive o livro saiu com dois cds para satisfação dos fãs e leitores.
E que tal conhecer mais sobre dois talentos da Bossa Nova que muitos consideram injustiçados - Newton Mendonça parceiro mais importante de Tom Jobim, antes de Vinícius de Moraes. Com o título Caminhos cruzados, a obra resgata a trajetória do grande compositor. O mesmo objetivo tem o livro Duas ou três coisas que você não sabe, do jornalista João Carlos Rodrigues, sobre o extraordinário Johnny Alf, que saiu como parte da coleção Aplauso Música, da Imprensa Oficial de São Paulo.
Há décadas os fãs esperavam ansiosos por uma biografia que contasse a vida e a carreira daquela cantora considerada por muito estudiosos como a verdadeira musa da Bossa Nova. Trata-se de Para ouvir Sylvia Telles, de Gabriel Gonzaga. O autor passou mais de 15 anos pesquisando para escrever este livro que, recebeu aval de ninguém menos que Ruy Castro.
Para completar acrescentamos mais quatro títulos, sendo dois focados em Vinicius de Moraes - O poeta da paixão, do José Castelo e Histórias das letras, de Wagner Homem e Bruno De La Rosa. Os outros dois são Quem quebrou meu violão, autobiografia de Sérgio Ricardo e Esse mundo é meu, as artes de Sérgio Ricardo, obra reunindo artigos e ensaios analisando, não apenas a música, mas a trajetória de Ricardo também como cineasta.
Cada um dos livros citados tem sua parcela de contribuição para a consolidação e divulgação da história da Bossa Nova, um movimento musical que influenciou artistas como Chico Buarque, Edu Lobo, Caetano Veloso, Gal Costa, e até Roberto Carlos antes de se consagrar rei da Jovem Guarda.