O caro leitor sabe o que filmes como "Psicose", de Alfred Hitchcock, "Perseguidor Implacável", de Don Siegel, e "Silêncio dos Inocentes", de Jonathan Demme, têm em comum? As chocantes histórias de crimes reais que inspiraram cada um deles.
Norman Bates foi inspirado no serial killer Ed Gein. Ele matou a mãe e guardou o cadáver e assassinou outras mulheres. O atirador perseguido por Dirty Harry, nasceu a partir do assassino Zodíaco - nunca descoberto e nem capturado. O culto e educado doutor Hannibal Lecter, o canibal faz um contraponto a Bufallo Bill, uma mescla entre Ted Bundy e o citado Ed Gein.
Hollywood adora assustar o público e nada melhor que a propaganda em torno destas produções para atiçar a imaginação dos espectadores, seja na sala do cinema ou de casa. O público sai de casa, paga estacionamento, compra o ingresso para ir ao cinema tomar sustos e assistir cenas de violência e sangue. O cinema está errado ou o espectador é que tem problemas?
Para alegria e orgasmos multiplos desta galera sedenta, a editora DarkSide tem em seu portfólio muitas publicações do gênero "true crime" e uma das mais fascinantes é o ótimo "Anatomia True Crime dos Filmes", do historiador Harold Schechter ― autor de Anatomia do Mal. O livro mistura cinema e realidade com muita informação e dicas de ótimos filmes.
Nesta coleção de artigos reveladores, Schechter leva o leitor numa viagem por uma encruzilhada de fatos e ficção revelando que algumas histórias reais são mais chocantes e fantásticas do que poderia sonhar ou criar o roteirista mais imaginativo. O cinema exorciza nas telas os monstros da vida real. É psicologia de botequim, mas funciona e dá bilheteria.
Os fãs monstruosos, vampirescos e estranhos - de mentirinha, óbvio, vão adorar cada capítulo desta obra que analisa filmes como "Festim Diabólico", de Alfred Hitchcock; o clássico alemão M – "O Vampiro de Düsseldorf", de Fritz Lang; os horrores escolares cometidos pelo serial killer ghostface em "Pânico", de Wes Craven, e pelos terroristas adolescentes em "Elefante", de Gus Van Sant. Fica a dúvida no ar. A realidade inspirou os filmes ou a vida imitou a arte?
Para muitos, essas produções servem apenas para chocar ou assustar, mas para outros, são uma forma de exorcizar os monstros da vida real. E, se você ainda não sabe ou prefere ignorar, os piores monstros não estão retratados na tela grande do cinema ou na televisão.
Eles estão soltos na vida real e pode ser qualquer um. Seu vizinho muito simpático e atencioso. O amigo inseparável de infância. A bela e descolada namorada que todos cobiçam, um tio caladão, um professor excêntrico e por aí vai. Brincadeira.