O Governo de
Rondônia precisou fazer uma grande movimentação no orçamento ainda no primeiro trimestre de 2026 para garantir funcionamento das salas de aula. R$ 100 milhões foram remanejados para a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) para pagar a folha de pagamento de professores temporários e para combater a evasão escolar, conforme registrado no Diário Oficial da segunda-feira (9).
Os decretos nº 31.311 e 31.313 citam "abertura de crédito suplementar". Na prática, o Governo move dinheiro de outras rubricas para cobrir necessidades da Educação. O Diário Oficial, no entanto, não explicita como o dinheiro será usado para combater a evasão das escolas.
Não fica claro se o novo recurso vai financiar novas bolsas de permanência para alunos de baixa renda, campanhas publicitárias ou melhorias na infraestrutura das escolas do ensino fundamental e médio.
O remanejamento acontece no momento em que a Seduc tenta resolver a deficiência de pessoal. No último domingo (8), o estado aplicou as primeiras provas de um mega-concurso público para a contratação de 4.392 professores e técnicos educacionais, atraindo mais de 128 mil inscritos.
Até que os aprovados efetivamente assumam seus postos, o Governo precisou garantir reforço no caixa para bancar a atual rede de temporários e evitar que os alunos fiquem sem aulas.
A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) foi questionada nesta quarta-feira (11) sobre os prazos para a nomeação dos novos concursados e sobre como, na prática, o dinheiro do combate à evasão será aplicado. Até o fechamento desta reportagem, a pasta não enviou resposta. O espaço segue aberto para o posicionamento.
Procurado, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Rondônia (Sintero) afirmou que avalia a manobra "com preocupação".
Embora reconheça a validade dos recursos contra a evasão escolar, a entidade vê o remanejamento como comprovação da deficiência de efetivos nas escolas. "Os profissionais efetivos garantem maior estabilidade pedagógica, continuidade dos projetos educacionais e melhores condições para o desenvolvimento do trabalho", destacou o sindicato em nota.
O Sintero afirmou ainda que vai acompanhar ‘de perto ‘a execução dos R$ 100 milhões e cobrar do Governo transparência e agilidade na convocação dos aprovados, exigindo redução da dependência de contratos provisórios.