A política, como se sabe, é feita de detalhes e, muitas vezes, de correções históricas. No centro do palco desta semana, o presidente do Sindsef-RO, Almir José Silva, usou as redes sociais para dar voz a uma notícia que mexe com o brio e o bolso de quem ajudou a erguer este país nos confins da Amazônia.
O avanço da MP 1326/2025 no Senado não é apenas um trâmite legislativo seco; é a tentativa de desfazer um nó cego jurídico. Em xeque, a situação dos professores pioneiros dos ex-territórios federais (Amapá, Rondônia e Roraima).
A conta que não fecha
O imbróglio é daqueles que só a burocracia brasiliense consegue criar:
• Os Transpostos: Pela Lei 13.681/2018, ganharam o direito à progressão funcional a cada 18 meses. Justo, justíssimo. Estão hoje no topo da carreira
.
• Os Pioneiros: Aqueles que já eram federais antes mesmo da transposição, ficaram amarrados a um interstício de 24 meses.
Resultado? Uma distorção flagrante. Quem chegou depois passou à frente, enquanto os veteranos ficaram para trás, seja pelo rigor do prazo, seja pelo vazio das avaliações de desempenho que nunca vieram. É a "ironia do destino" estatal: o pioneiro, que abriu o caminho, acabou punido pela própria antiguidade.
O caminho à frente
A aprovação dessa proposta de isonomia no Senado é um passo largo, mas atenção o jogo ainda não acabou. O texto segue seu rito, mas o sinal verde do Legislativo já envia um recado claro ao Planalto e ao Ministério da Gestão: justiça tardia não pode ser justiça negada.
Almir Silva comemora com cautela, mas com o peso de quem sabe que, na política, a vitória se constrói na insistência.
Parabéns ao sindicalista e ao SINDSEF pela justa luta em benefício de nossos mestres pioneiros.
DANIEL PEREIRA. Professor Pioneiro do ex-Território Federal de Rondônia e ex-presidente do SINDSEF/RO.