Pesquisas científicas indicam que uma mutação genética extremamente rara pode permitir que algumas pessoas funcionem plenamente mesmo dormindo apenas quatro ou cinco horas por noite. A variação afeta o gene DEC2, responsável pela regulação do ciclo sono-vigília, e faz com que o organismo execute de forma mais rápida e eficiente os processos de restauração normalmente associados a uma noite completa de descanso.
De acordo com os estudos, indivíduos com essa mutação conseguem preservar funções essenciais como memória, humor, foco e desempenho cognitivo, mesmo com períodos reduzidos de sono. Na prática, o corpo dessas pessoas parece otimizar cada minuto dormido, alcançando resultados semelhantes aos de quem dorme sete ou oito horas.
Os pesquisadores explicam que o gene DEC2 atua como um regulador biológico do relógio interno. Quando sofre essa alteração específica, ele permite que o cérebro e o organismo completem os ciclos reparadores em menos tempo, sem os prejuízos normalmente causados pela privação de sono.
Apesar do interesse despertado pela descoberta, especialistas alertam que essa condição é raríssima e atinge menos de 1% da população mundial. Para a imensa maioria das pessoas, dormir pouco continua associado a riscos significativos à saúde, como queda de concentração, alterações de humor, problemas cardiovasculares e enfraquecimento do sistema imunológico.
Por isso, médicos reforçam que a descoberta não deve ser interpretada como um incentivo à redução do sono. Ao contrário: para quase todos nós, manter uma rotina de descanso adequada segue sendo um dos pilares fundamentais para a saúde física, mental e emocional.