Um acordo de integração energética firmado entre Brasil e Bolívia pode abrir caminho para a construção da terceira grande hidrelétrica no Rio Madeira, projeto planejado para a região de Porto Velho. A futura usina, chamada Usina de Ribeirão, está prevista para ser binacional e deve ser construída na Cachoeira do Ribeirão, próxima à Vila da Penha, na capital rondoniense.
O tema voltou ao centro das discussões após a assinatura, nesta segunda-feira (16), em Brasília, de um acordo bilateral para interconexão elétrica entre os dois países. O ato ocorreu durante a visita oficial do presidente boliviano Rodrigo Paz Pereira ao Brasil e contou com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também participou da cerimônia, que reuniu autoridades dos dois governos e marcou um novo passo na cooperação energética entre os países. Silveira é defensor do mega-projeto hidrelétrico binacional e acredita que novo presidente da Bolívia dará continuidade aos acordos anteriores.
Se confirmada, a usina será a terceira grande hidrelétrica do rio, ao lado das já existentes Usina Hidrelétrica de Santo Antônio e Usina Hidrelétrica de Jirau, ambas localizadas em Rondônia.
A proposta prevê um empreendimento binacional, com participação de Brasil e Bolívia, aproveitando o potencial energético da região e fortalecendo a integração elétrica entre os países.
Interconexão energética
O acordo assinado ontem (16) prevê a ligação elétrica entre a província de Germán Busch, no departamento de Santa Cruz, na Bolívia, e o município de Corumbá. O projeto inclui a instalação de uma estação conversora de frequência no lado brasileiro e a construção de linhas de transmissão com capacidade aproximada de 420 megawatts (MW).
Segundo Alexandre Silveira, a iniciativa cria as condições para ampliar o intercâmbio de energia entre os dois países.
“A interconexão elétrica entre Corumbá e a província de Germán Busch cria as bases para o intercâmbio de energia entre Brasil e Bolívia, ampliando a segurança energética regional e permitindo o melhor aproveitamento dos recursos disponíveis nos dois países”, afirmou o ministro.
Integração regional
O acordo estabelece as bases para a integração dos sistemas elétricos brasileiro e boliviano, permitindo a troca de excedentes de geração entre os países, sempre preservando o atendimento das demandas internas.
O documento também prevê trocas emergenciais de energia em situações de contingência, reforçando a segurança energética da região.
Durante a cerimônia, o presidente Lula destacou a longa cooperação energética entre os dois países.
“A relação entre Brasil e Bolívia serviu muito ao crescimento da indústria brasileira e do setor de hidrocarbonetos boliviano. Hoje pode ser aproveitada para uma integração mais ampla entre nossos países”, afirmou.
Pelo acordo firmado em Brasília, cada país será responsável por financiar, construir e operar a infraestrutura localizada em seu território. A coordenação técnica dos estudos e da implementação ficará a cargo do Comitê Técnico Binacional Brasil–Bolívia (CTB), responsável por acompanhar projetos de cooperação energética entre as duas nações.