Em face da celebração à Semana da Água, a Organização Raiz Nativa (O.R.N.) apresenta dados da execução do Projeto "Identificação das Nascentes de Cujubim Grande, Cujubinzinho e Entorno em Porto Velho – RO", fundamental para a preservação hídrica e ambiental do município de Porto Velho. A iniciativa buscou catalogar, diagnosticar e propor a recuperação de fontes de água vitais para comunidades ribeirinhas e ecossistemas locais.
O projeto, que teve o acompanhamento de técnicos da Secretaria de Estado e Desenvolvimento Ambiental (SEDAM), surge em um momento de crescente preocupação global com a crise hídrica e as mudanças climáticas, conforme debatido em eventos como a Conferência de Água da ONU de 2023 e a COP30. A Raiz Nativa alinha seus esforços à agenda de 2030, que preconiza a proteção e restauração dos sistemas de água doce.
Metodologia Inovadora e Equipe Multidisciplinar
Para a realização deste levantamento detalhado, a O.R.N. empregou tecnologia de ponta, incluindo drones para mapeamento RTK (Real-Time Kinematic), softwares de Sistema de Informações Geográficas (SIG) como QGIS e Global Mapper, e imagens de satélite. Uma equipe multidisciplinar, composta por biólogos, geógrafos, engenheiros florestais, agrônomos e assistentes sociais, foi responsável por um diagnóstico abrangente.
Um Diagnóstico Alarmante: Apenas 40 Nascentes Preservadas
Os dados preliminares, fruto de um mapeamento detalhado com auxílio de drones e inspeções visuais, são um chamado urgente à ação. Das 113 nascentes identificadas nas comunidades de Cujubim Grande, Cujubinzinho e entorno, apenas 40 foram classificadas como totalmente preservadas. Um número expressivo de 61 nascentes encontra-se parcialmente antropizado, enquanto 12 já estão totalmente degradadas pela ação humana.
Este cenário corrobora as preocupações iniciais da O.R.N. sobre os impactos ambientais na região. O relatório aponta como principais ameaças: a pesca predatória, com a prática do "arrasto" e o desrespeito aos períodos de defeso; o garimpo de ouro, que contamina os corpos hídricos com mercúrio, causando danos à saúde humana e desmatamento; e, de forma acentuada neste novo diagnóstico, o avanço da agropecuária de grande porte, que pode ter impactos ambivalentes no meio ambiente, dependendo fundamentalmente da forma como essa expansão é gerenciada e regulamentada.
O diagnóstico aponta os impactos negativos e propõe adoção de medidas para alcance de resultados positivos quanto a este avanço, sendo observados:
(Impactos Negativos):
1. Desmatamento e Perda de Biodiversidade;
2. Contaminação da Água e Solo (Agrotóxicos e Fertilizantes);
3. Degradação do Solo;
4. Pressão sobre Recursos Hídricos;
5. Emissões de Gases de Efeito Estufa;
6. Conflitos Socioambientais e Desterritorialização.
Já os aspectos que podem "Contribuir" com o Meio Ambiente dependem de práticas sustentáveis e regulação estrita, que nem sempre são a realidade na expansão desordenada. Adoção de técnicas como:
1. Cultivo Sustentáveis (foram observadas com ressalvas):
A pesquisa e o desenvolvimento na cultura da soja têm o potencial de levar a práticas mais sustentáveis, como o plantio direto (que minimiza a erosão e melhora a saúde do solo), rotação de culturas (reduzindo a dependência de fertilizantes), e uso de variedades mais resistentes a pragas, diminuindo a necessidade de agrotóxicos, o que exige investimento, fiscalização e adesão por parte dos produtores, e não a simples expansão sobre áreas nativas.
2. Recuperação de Áreas Degradadas (como parte de um plano maior):
Em alguns contextos, a soja pode ser parte de um sistema de recuperação de pastagens degradadas, preparando o solo para outras culturas ou até para sistemas agroflorestais, em vez de expandir sobre florestas primárias. O que deve ser feito através de um planejamento territorial rigoroso que impeça a conversão de novas áreas florestais.
3. Inovação e Certificação:
A demanda por soja sustentável no mercado internacional pode impulsionar certificações (como a RTRS - Round Table on Responsible Soy) que exigem práticas ambientais e sociais responsáveis, contribuindo para a redução do desmatamento e o respeito aos direitos trabalhistas e comunitários. A eficácia depende da adesão em larga escala e da fiscalização rigorosa das certificadoras.
Ações Sociais e Engajamento Comunitário Impulsionam a Mudança
Ciente da necessidade de uma abordagem integrada, a Raiz Nativa não se limitou ao diagnóstico técnico. Durante as visitas de campo, foram desenvolvidas diversas ações sociais em parceria com órgãos públicos e entidades civis, visando fortalecer as comunidades e sensibilizá-las para a causa ambiental e ainda a prestação de serviços de cidadania.
Elias Correa Alves, Presidente da O.R.N., ressalta a importância da mobilização: "Os problemas que afetam as nascentes refletem diretamente na qualidade de vida das comunidades. Nosso trabalho vai além da técnica; buscamos envolver as pessoas, dar voz e ferramentas para que se tornem agentes de sua própria preservação."
Próximos Passos: Recuperação e Monitoramento
O diagnóstico final apresenta dados físicos, bióticos e socioeconômicos completos. Entre as considerações finais, a Raiz Nativa aponta o potencial de conservação da área e prevê recomendações cruciais, como o cercamento e reflorestamento de nascentes com espécies nativas, além da elaboração e execução de Projetos de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) com enfoque sobre as nascentes. A necessidade dessas ações é intensificada pela instalação de portos graneleiros nas margens do Rio Madeira, que demandam atenção redobrada.
Com um compromisso de longo prazo, a Organização Raiz Nativa, apoiada pelos parceiros e pela comunidade, reafirma seu papel na defesa dos recursos hídricos e na promoção de um futuro mais sustentável para a Amazônia rondoniense.