Conhecida popularmente como o “hormônio do amor e do bem-estar”, a ocitocina pode ter um papel importante no combate à ansiedade. Um estudo realizado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), identificou que uma versão sintética da substância apresentou potencial para prevenir comportamentos ansiosos em testes realizados com animais.
Produzida naturalmente no cérebro, a ocitocina está associada a vínculos afetivos, empatia, sensação de segurança emocional e redução do estresse. Na pesquisa, os cientistas utilizaram a carbetocina, uma substância sintética semelhante ao hormônio natural, para avaliar seus efeitos sobre respostas ligadas à ansiedade.
Durante os experimentos, ratos foram submetidos repetidamente a situações de “derrota social”, um modelo utilizado em pesquisas para induzir estresse psicológico e comportamentos ansiosos. Os animais que não receberam tratamento apresentaram alterações comportamentais compatíveis com ansiedade.
Já os ratos tratados previamente com carbetocina mantiveram comportamento semelhante ao do grupo-controle, indicando um possível efeito protetor da substância contra os impactos emocionais do estresse social.
Os pesquisadores afirmam que os resultados reforçam a importância da ocitocina na modulação da ansiedade e sugerem caminhos promissores para o desenvolvimento de futuras abordagens terapêuticas voltadas à saúde mental.
Apesar dos resultados considerados relevantes, os autores destacam que os testes ainda estão restritos ao modelo animal e que novas pesquisas serão necessárias antes de qualquer aplicação clínica em seres humanos.
O estudo amplia o debate científico sobre o uso de substâncias ligadas ao funcionamento emocional do cérebro no tratamento de transtornos psicológicos, especialmente em um cenário global de crescimento dos casos de ansiedade e sofrimento mental.