O cenário político de Rondônia já se movimenta para 2026, e Cacoal ocupa posição estratégica nesse tabuleiro. O prefeito Adailton Fúria confirmou que deixará o comando do município para disputar o governo do estado e, desde já, iniciou uma transição planejada com o vice-prefeito Tony Pablo, buscando garantir continuidade administrativa enquanto projeta sua candidatura estadual.
Em entrevista ao PodEGO, da TV Suruí, Fúria afirmou que a transição vai além de um rito formal. Segundo ele, o objetivo é repassar articulações, contatos e caminhos institucionais - especialmente em Brasília - que permitiram ao município captar recursos e viabilizar investimentos nos últimos anos. A ideia, afirma, é evitar descontinuidade e manter Cacoal em ritmo de crescimento.
A saúde é apresentada como principal vitrine da gestão. O prefeito destacou a implantação do Hospital Municipal de Cacoal, pensado para absorver atendimentos de baixa e média complexidade, cirurgias eletivas e procedimentos que hoje sobrecarregam o sistema estadual. O PAM será integrado como porta de entrada da unidade, enquanto casos de alta complexidade seguirão sob responsabilidade do Estado. A proposta, segundo Fúria, é organizar a rede e desafogar o Heuro, em parceria com o governo estadual.
Além do hospital, ele citou a reestruturação do Materno Infantil, a ampliação de suporte intensivo e investimentos contínuos na educação, com reformas em escolas, construção de nova unidade e obras já contratadas. A estratégia é deixar projetos em execução e contratos firmados, garantindo continuidade independentemente de mudanças políticas.
Ao comentar a polêmica dos pedágios nas rodovias estaduais, Fúria adotou tom crítico, porém cauteloso. Disse que o debate deveria ter ocorrido antes da assinatura dos contratos e reconheceu que, agora, a reversão é difícil. Defendeu, no entanto, negociação de valores com participação da bancada federal e do governo federal, evitando radicalizações.
Filiado ao PSD, que define como partido de centro-direita, o prefeito reforçou que não sofre interferências partidárias na gestão e defendeu a ideia de que o eleitor vota mais em pessoas do que em siglas. O discurso reforça uma estratégia clara: ancorar sua pré-candidatura nos resultados administrativos e na visibilidade conquistada em Cacoal.
A entrevista funcionou como um ensaio de campanha. Fúria apresentou balanço de gestão, posicionou-se sobre temas sensíveis e indicou que seu ciclo à frente do município se encerra com a "casa arrumada". Com a transição em curso e Tony Pablo preparado para assumir, o prefeito dá os primeiros passos rumo ao Palácio Rio Madeira, apostando que o que foi feito em Cacoal pode ser replicado em todo o estado.
As eleições ainda estão distantes, mas o movimento político já começou — e começa, para Fúria, justamente onde construiu seu capital político.