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Médicos peritos e a pandemia - Por Geovani Berno

Por Geovani Berno

Por Geovani Berno

24 de Setembro de 2020 às 10:24

Foto: Divulgação

Fiquei assustado nos últimos dias com a recusa dos médicos peritos do INSS em retornar ao trabalho devido os riscos de sua profissão e contato com pacientes quanto ao coronavírus. 
 
Mais espanto ainda me causou quando fui pesquisar o conteúdo do juramento que todo estudante faz ao sair dos bancos escolares da academia e é recitado, muitas vezes, em uníssono no dia da colação de grau. 
 
“Pesquei” apenas um trecho inicial que diz: “como membro da profissão médica, eu prometo solenemente consagrar minha vida ao serviço da humanidade; a saúde e o bem-estar de meu paciente serão as minhas primeiras preocupações”. 
 
Entendo o receio que todos temos no contato com as pessoas e na possibilidade de contaminação pelo covid especialmente no momento em que ainda não temos uma vacina. 
 
Entretanto vejo a quantidade de profissionais médicos, enfermeiros, técnicos, laboratoristas, motoristas de ambulâncias, socorristas que não medem esforços para atender toda a população colocando em risco a sua vida e de sua família para salvar pessoas, sem questionar se estão ou não contaminadas pelo vírus. 
São, sem sombra de dúvidas, soldados da linha de frente, da trincheira, nesta batalha que já ceifou milhares de vida em todo o mundo. 
Mas, enquanto isso, médicos peritos que podendo tomar todos os cuidados, com Equipamentos de Proteção Individual (EPI) adequados e todas as normas de sanitização, ainda assim se recusam a atender as centenas, milhares de brasileiros. 
 
São pacientes não de covid, mas de outras doenças e que necessitam deste auxílio para sua sobrevivência e de sua família. Mas enquanto isso seus gordos contra-cheques continuam a pingar na conta. Se as agências do INSS não abriram, eles não trabalharam nos últimos seis meses e mesmo assim receberam seus vencimentos e agora, só agora, quando se retorna ao trabalho vão brigar por fiscalização e outras coisas mais? Por qual motivo não o fizeram antes? 
 
Vejam, não estou aqui para apontar dedos. Mas se os médicos e profissionais da área de saúde em geral podem e estão atendendo a população em geral, por que estes são mais especiais do que todos os demais? O que eles são mais importantes que qualquer ser humano necessitado de atendimento e dignidade? 
 
Deixo aqui minha indignação com este real situação que ocorre neste momento em nosso país. Em tempo, eu estou trabalhando de forma normal, apenas me protegendo com máscara e muito álcool 70%. Eles não podem fazer o mesmo? E o juramento feito de “consagrar minha vida ao serviço da humanidade” é muito bonito no dia ou então pregado em alguma parede de consultório. Na prática foi esquecido por alguns. Reforço, por alguns. 
 
* Geovani Berno é jornalista e publicitário
Direito ao esquecimento

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