Cangaceiros e milicianos - por Humberto Oliveira

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Foto: Divulgação

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Autodenominado "Governador do Sertão", Virgulino Ferreira, vulgo Lampião, já teve sua história contada em dezenas de obras. Lampião e Maria Bonita, uma história de amor e balas é mais uma. 
 
Personagem emblemático do sertão nordestino, o famoso cangaceiro, que à sua época, era considerado por parte da população da caatinga, uma espécie de Robin Hood. No entanto, para outros tantos, o capitão Virgulino não passou de um bandido violento, sanguinário e vingativo que aterrorizou inúmeras cidades da região com invasões, assaltos, chacinas e sequestros. 
 
O caso é que Lampião se notabilizou como ardiloso estretegista. O livro de Wagner G. Barreira, em sua terceira edição, não tem a intenção de trazer novidades sobre a vida e a morte do bandoleiro, tem a intenção de contar melhor a história deste homem que teve a ousadia de enfrentar a polícia e os poderes vigentes, mas que acabou tragicamente no massacre da gruta de Angicos, onde tombou junto com Maria Bonita e parte do seu bando no cerco armado por forças policiais. Além de Lampião e Maria, mais 12 foram mortos e tiveram suas cabeças cortadas e mostradas numa exposição macabra em várias cidades nordestinas. 
 
Se correr o bicho pega. Se ficar, o bicho come
 
A República das Milícias, dos esquadrões da morte à Era Bolsonaro, do jornalista Bruno Paes Manso, publicado pela Todavia, apresenta um detalhado painel do avanço e crescimento das Milícias, principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo. Tudo começou com o esquadrão da morte, entre o final dos anos 1960 e começo dos anos 1970 período no qual reinaram o famigerados "Homens de Ouro", da Polícia Militar, que tinha nas suas fileiras nomes como Mariel Mariscot, primeiro policial, depois bandido envolvido com a máfia do jogo do bicho. Foi metralhado e morto em plena luz do dia. 
 
O livro começa com as declarações de ex-miliciano em depoimento ao repórter. Ele, sem constrangimento ou arrependimento, conta quase tudo e até cita nomes. Claro que sua identidade não é revelada, pois do contrário o destino seria o mesmo de tantos que se meteram no caminho das milícias, seja para denunciar ou simplesmente mudar de vida. A fonte relata inúmeros crimes, alguns cometidos por ele, e por aí vai. Algumas passagens são capazes de deixar o leitor perplexo, pois escancara a dura uma dura realidade escrita com violência, sangue e traição. 
 
Nomes conhecidos do meio político brasileiro são citados. Autoridades policiais e daa forças armadas também, e não importa a batente. O envolvimento entre aqueles cuja missão deveria servir e proteger e aqueles que traficam, roubam, sequestram, chantageiam e matam, chega a ser surreal, porém, de fantasioso não tem nada. É ler para crer. 
 
Cangaceiros dos anos 1930 ou milicianos dos anos 1990 aos dias atuais, não importa à época. Ambos os livros nos jogam no rosto a dura realidade de um país sempre em ebulição. Salve -se quem puder. Assaltos, confrontos, balas perdidas, emboscadas, pistolagem, crimes encomendados, ambição, desvio de dinheiro, corrupção, assassinatos insolúveis e muito mais fazem o recheio dos dois livros nada recomendados para leitores de O Pequeno Príncipe.
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