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Momento Lítero Cultural - Por Selmo Vasconcellos

Por Selmo Vasconcellos

Por Selmo Vasconcellos

16 de Setembro de 2020 às 08:58

Atualizada em : 16 de Setembro de 2020 às 09:33

Foto: Divulgação

MARINÊS  BONACINA – Porto Alegre, RS.

Jornalista, radialista, ativista cultura e escritora.

 

1ª participação com o poema “Vinho” em 24.Fevereiro.2006 na página impressa Lítero Cultural nº 763 (editor Selmo Vasconcellos)

 

Poemas extraídos do livro  “FRAGMENTOS”.

 

1-FRAGMENTOS

 

Voo para encontrar as partículas

de intensos sonhos

que no tempo dilui.

São fragmentos de DNA,

soltos no caminho,

de movimentos simétricos

fragmentos do mesmo arco-íris,

refletidos nas quatro estações.

Os segredos de outra vida

nas marcas paralelas

escrevendo novas rotas.

Fragmentos de um tempo

que encaixam-se em outro tempo.

São enigmas, no amanhecer prateado.

Porto Alegre, 22/05/2017

*****

 

2-AGULHAS

 

Nos fios

entrelaçados

vão à direção

do infinito.

Uma desce

outra sobe,

no meio do caminho

um abraço

na decida um laço

para atar o compasso.

Porto Alegre, 13/12/2013 (Hospital das Clínicas)

*****

 

3-CARTA

 

Estava na gaveta!

O verbo e a letra,

Criatura a um triz da vida.

Com dó e ré menores,

saliva, suor, lágrima,

amor,

Ventania...

Pena na empunhadura.

Seus raios

irrefletidos balançam

os cabelos.

O crepúsculo dos dias,

derradeiro piscar,

ritual de flores,

anátema a lançar,

acendeu a chama bailarina.

Desde o primeiro crepitar...

Tudo vai recomeçar!

No toque perdido,

de uma lembrança

esquecida.

Porto Alegre, 30/07/2002

****

 

4-CAMINHOS

 

No trajeto,

o ônibus

uma mão acena

na outra a mala, apenas.

No avanço os degraus

A força da vida.

Na entrada,

o sorriso

no balanço

o sonho,

Nas paisagens,

a esperança

de um novo alvorecer.

Porto Alegre, agosto/2004

*****

 

5-ESPELHO

 

Ele reflete a minha vaidade

deixa-me na saudade.

Passa o tempo,

não o vejo,

e, de repente, encontro-me

frente a frente

Um duelo...

A lâmina da vida.

Porto Alegre, 14/10/2008

*****

6-meuamor@virtual.com.br

 

Refugiei-me nas letras em espaço virtual,

encontrei você em poéticas histórias

na dança das palavras...paixão.

À distância, apenas um poeta!

Metamorfose da frase leva a insônia, seu erotismo.

O índice, nos sete véus, de um amor imaginário.

Nas entrelinhas, um sonho...

A vida na viagem do “faz de conta”.

Tempo! Profecia inacabada,

emoções, palavras não bastam.

Estilhaços de esperança na geométrica da vida

movimento retilíneo de uma partícula

dilema entre a matéria e a energia.

Viajamos em paralelas,

nas asas do tempo de um amor virtual.

Porto Alegre, 11/setembro/2006. Revisada 10/fevereiro/2009

*****

 

7-PIANO

 

Toco o piano,

e ouço em cada tecla, uma nota.

Em cada nota um som,

em cada som uma lembrança

que ao fechar os olhos

voa longe...

Toco o piano,

e ouço, em cada nota uma voz,

em cada voz meu sentir.

No sentir, um som,

em cada som uma dor

insana de partir.

Porto Alegre, 09/11/2012

****

 

8-SÍNDROME DO PÂNICO

 

No silêncio da palavra

penso ouvir uma voz,

desconheço a razão.

No meu laboratório central,

existe um canto escuro.

Às vezes questiono,

sombra da minha própria sombra,

onde o medo se esconde.

Ninguém o vê.

Dentro do meu ser

é difícil suportar este tormento,

ter um nítido riso momentâneo,

e mascarar uma dor interminável.

Tento gritar, mas estou silente,

quase muda...

Queria em mãos pegar

para dividir, a fé no divino me sustenta.

Não posso fugir desta essência:

encontrar o imponderável,

pois o mundo só vive de aparências.

Porto Alegre, 27/03/2004 às 9h54min

 

 

Direito ao esquecimento

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