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Momento Lítero Cultural - Por Selmo Vasconcellos

Por Selmo Vasconcellos

Por Selmo Vasconcellos

25 de Setembro de 2020 às 08:59

Foto: Divulgação

 

CLÁUDIA  BRINO – Nossa homenagem

Escritora, ativista cultural, fotógrafa, encadernadora, diagramadora, oficineira do Costurando Ideias, Editora de revistas alternativas, diretora de perfomances poéticas (Grupo CPL e RimaRara), Fundadora e Coordenadora do Clube de Poetas do Litoral. Criadora e editora da Ed. Costelas Felinas (com Vieira Vivo), livros artesanais desde 1998. Vários livros de poesias publicados.

 

Poesias extraídas do livro “Verbo”, escrito em 1998, Editora Costelas Felinas, São Vicente, SP, 2012, 92 páginas.

 

EU

 

Eu sei da alcova

e minhas mãos

à noite cumpriam

seu papel na curta oração.

 

Minha alma mal lavada

vibra ao som do silêncio.

Confesso mais uma vez:

tem um deus dormindo

dentro de mim.

(página 20)

 

TU

 

Tu desencarnarás!

E quando isto acontecer

oculto ficará o teu nome.

Vazia ficará a tua casa.

 

Sem lembrança para deixar

serás amigo de fantasmas

e sentirás sempre,

no pelo, o uivo do lobo

sem alcateia.

(página 32)

 

ELE

 

Ele havia vivido

na cama de sua mulher.

Ele havia sonhado

nos braços do filho.

Ele havia gerado

um grito na boca.

Ele havia desmentido

com a mão na bíblia.

Ele havia sido

hoje ele não ave mais.

(página 43)

 

NÓS

 

Nós acolhemos o fruto maduro

da discórdia e do sexo mal feito.

 

Apreciamos a decoração

da maquiagem sobre a face

translúcida do tempo.

 

Desejamos a lua dos amantes,

mas apavorados com o negror da noite

pintamos o céu com estrelas cadentes.

(página 55)

 

VÓS

 

Vós desejastes a lua

e o seu vale da tranquilidade?

não desejais...

pois a íris da noite mal dormida

pertence somente aos mortos

 

Há coisas que marcam

a pele como ferro em brasa.

E o luar sempre traz, sorrateiramente,

o espectro de ontem,

o mesmo que durante o dia

tentastes esquecer e pagar.

(página 58)

 

ELES

 

Eles não querem nossos sonhos,

nem nossas casas,

nem nossas roupas,

nem nossas palavras.

 

Eles querem pisar em nossos sonhos,

querem derrubar nossas casas,

querem rasgar nossas roupas,

querem silenciar nossas palavras.

 

Eles querem o que temem

e o que temem nunca acaba.

(página 76)

Direito ao esquecimento

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