INDEPENDENTE: Jornal vilhenense aposta em conteúdos fora das redes sociais

Enquanto a maior parte da produção jornalística migra para formatos rápidos e guiados por algoritmos, um projeto criado no interior de Rondônia segue um percurso distinto

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Foto: Reprodução

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 O Cool do Mundo, jornal independente produzido em Vilhena, tem como base editorial a escrita aprofundada, a estética inspirada em publicações antigas e a circulação alternativa de conteúdo.
 
O jornal é editado pelo jornalista Júlio Olivar e surgiu a partir de diálogos iniciados há cerca de três anos com profissionais experientes da imprensa rondoniense. A ideia era retomar características comuns aos jornais impressos de outras décadas, como reportagens extensas, textos reflexivos e espaço para narrativas que transitam entre jornalismo, literatura e memória social.
 
Segundo Olivar, o projeto nasceu do desejo de publicar textos com mais fôlego e liberdade editorial, mantendo uma identidade visual e narrativa que remete a publicações do passado, sem deixar de abordar temas contemporâneos.
 
Inicialmente, o grupo avaliou a possibilidade de lançar um tabloide impresso semanal. No entanto, as mudanças estruturais do mercado editorial  como a redução de gráficas, o fechamento de bancas e a queda no número de assinantes  levaram à adoção de um modelo digital.
 
O Cool do Mundo passou então a ser publicado em formato PDF, com distribuição semanal via WhatsApp. O jornal não mantém perfis oficiais em redes sociais, optando por um sistema de circulação direta e espontânea, inspirado em publicações independentes e alternativas.
 
A proposta editorial do Cool do Mundo é voltada ao jornalismo cultural e à preservação da memória, com foco em temas que recebem pouca atenção na mídia tradicional. As edições abordam assuntos como patrimônio histórico, trajetórias de personagens locais, literatura regional, políticas culturais, diversidade social e comunidades fora do eixo digital.
 
Entre as reportagens publicadas, estão perfis de artistas locais, análises sobre o abandono de museus, reflexões sobre identidade regional e matérias sobre iniciativas comunitárias. Um dos conteúdos destacados trata de uma agrovila em Vilhena que contribuiu para a transformação da realidade de mais de 40 famílias, com fortalecimento da produção agrícola diversificada.
 
A linha editorial evita a reprodução de comunicados oficiais e prioriza fontes ligadas a movimentos sociais, coletivos culturais e experiências populares.
 
Neste final de semana, o Cool do Mundo chega à sua 13ª edição. Atualmente, o jornal é enviado diretamente para mais de 2.500 contatos no WhatsApp. A partir desse envio inicial, o conteúdo passa a circular em dezenas de grupos da plataforma e também é compartilhado por leitores em redes sociais, de forma orgânica.
 
O público leitor é formado majoritariamente por pessoas com vínculo com a tradição dos jornais impressos, embora o projeto busque ampliar gradualmente o diálogo com leitores mais jovens, sem alterar sua proposta editorial.
 
Todo o trabalho envolvido na produção do Cool do Mundo é realizado de forma voluntária. Colaboradores, colunistas e revisores participam sem remuneração, e o próprio editor é responsável pela edição e diagramação das edições.
 
O único suporte financeiro vem da Amazônia Livros, empresa criada pelos idealizadores do jornal. De acordo com Júlio Olivar, propostas de apoio condicionadas a alinhamentos editoriais já foram recusadas, mantendo o projeto sem vínculos institucionais ou políticos.
 
Com circulação alternativa e foco em conteúdo aprofundado, o Cool do Mundo segue como uma iniciativa independente no cenário jornalístico de Vilhena, apostando na memória, na cultura e na escrita como elementos centrais de sua proposta.

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